terça-feira, 12 de novembro de 2013

Saldo comercial recorde



Agronegócio: US$ 72 bi em 10 meses

Venilson Ferreira

       A balança comercial do agronegócio teve superávit de US$ 72,1 bilhões de janeiro a outubro deste ano, valor 7,2% acima do registrado no mesmo período de 2012 (US$ 67,2 bilhões) e o maior da série histórica para o período. O bom desempenho do agronegócio não foi suficiente para garantir saldo positivo da balança comercial brasileira, que até agora tem déficit de US$ 1,832 bilhão, pressionada pelas importações recordes de US$ 202,3 bilhões de janeiro a outubro.

       O levantamento, divulgado ontem pelo Ministério da Agricultura, mostra que as exportações do agronegócio somaram US$ 864 bilhões, valor 6,9% superior ao de janeiro a outubro de 2012.

       O valor correspondeu a 43,1% das exportações do País no período (US$ 200,4 bilhões), a segunda maior participação da série histórica, inferior apenas aos 43,6% de 2009. Já as importações do agronegócio de janeiro a outubro somaram US$ 14,29 bilhões, valor 5% acima do registrado em igual período do ano passado (US$ 13,6 bilhões).

       O estudo revela que os produtos de origem vegetal foram os que mais contribuíram para o aumento de US$ 5,54 bilhões nas exportações do agronegócio. O complexo Soja teve participação de 82% na expansão das vendas, seguido de cereais, farinhas e preparações com 19,6% e das carnes com 17,7%.

       No geral, o principal setor em valor exportado foi o complexo Soja, com US$ 29,19 bilhões, 184% superior ao de janeiro a outubro de 2012. As vendas externas de Soja em grãos foram responsáveis por 76,9%, somando US$ 2244 bilhões. O valor é 30,5% superior ao acumulado no mesmo período de 2012.

       O aumento se deve à ampliação em 29,5% da quantidade embarcada, de 32,52 milhões para 42,1 milhões de toneladas, em conjunto com a expansão de 0,8% no preço médio, dizem os técnicos. As exportações de farelo de Soja somaram US$ 5,57 bilhões e 11,2 milhões de toneladas (alta de 04%, em valor e queda de 10,7% em volume), As de óleo somaram US$ 1,19 bilhão (queda de 37,8% em valor e 28% em volume).

       Carnes. O estudo mostra que o segundo setor do ranking de exportações foi o complexo carnes, cujas vendas alcançaram US£ 13,96 bilhões de janeiro a outubro. Os técnicos destacam principalmente as exportações de carne de frango (US$ 6,25 bilhões), 5,6% superiores ao mesmo período do ano anterior. O crescimento foi determinado pela expansão de 7,2% no preço médio, que mais do que compensou a queda de 3,12 milhões para 3,07 milhões de toneladas.

       As exportações de carne bovina somaram US$ 546 bilhões e cresceram 14,8% em valor. Ao contrário da carne de frango, o aumento das vendas de carne bovina foi alcançado pela expansão em 20,8%da quantidade embarcada (de 1,02 milhão para 1,24 milhão de toneladas), suplantando a queda de 4,9% no preço médio.

       As vendas externas de Carne Suína foram 7,8% inferiores ao acumulado em 2012, somando US$ 1,15 bilhão. O aumento de 2,3% no preço médio não foi suficiente para compensar a queda de 9,9% na quantidade embarcada.

       O complexo sucroalcooleiro ficou em terceiro lugar com exportações de US$ 11,64 bilhões no acumulado de janeiro a outubro deste ano. As vendas de açúcar corresponderam a 85,4% desse montante (US£ 9,94 bilhões), 2,7% inferiores ao mesmo período do ano passado.


Fonte: OESP/12/11/13

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Pá de cal na Reforma Agrária e o ...


... setor agropecuário

(Continuação)

No mês de setembro veio a lume um artigo com título que chega a surpreender, pois era raro em nossa imprensa: “Pá de cal na Reforma Agrária”. O autor não é fazendeiro, mas sociólogo e professor da UFRGS, Zander Navarro, antigo defensor e ativista da Reforma Agrária. Navarro, em matéria para O Estado de São Paulo (21/09/13), explica:

"Usei o mesmo título em artigo publicado em 1986, indignado com a afronta do governo Sarney ao nomear um latifundiário para o INCRA. Naquela década me envolvera no ativismo a favor da reforma agrária. Não obstante o anúncio pessimista, o esforço do conjunto de militantes contribuiu para animar a única política de redistribuição de terras já feita no Brasil, iniciada em 1996”.

“Desde então, em torno de 1 milhão de famílias recebeu suas parcelas e aproximados 80 milhões de hectares foram arrecadados para constituir os assentamentos rurais — mais de três vezes a área de São Paulo".

Para o autor, chegou o momento de fazer o seu funeral: "Mantenho o título acima porque é preciso reconhecer desapaixonadamente o fato, agora definitivo: morreu a reforma agrária brasileira

Falta apenas alguma autoridade intimorata para presidir a solenidade de despedida. Atualmente a ação governamental nesse campo é um dispendioso e inacreditável faz de conta, sendo urgente a sua interrupção".

E Navarro continua tratando da agonia do MST e da evasão dos assentamentos:

"Outro fator a ser considerado diz respeito às organizações que demandam reforma agrária, responsáveis pelas pressões que ativaram esta recente “bolha” redistributiva. 

O MST agoniza simultaneamente ao desaparecimento da reforma agrária, a razão de seu nascimento. Não soube refundar-se nessa nova fase do desenvolvimento agrário e vai se apagando melancolicamente”.

“Seu consolo é que fará boa figura nos livros de História. E a Contag, poderosa em razão de sua capilaridade, insiste na bandeira empurrada somente pela tradição. Seus dirigentes sabem ser outro o maior desafio: tentar salvar da desistência os milhares de pequenos produtores ameaçados pelo acirramento concorrencial instalado no campo".

E mostra o contraste: "Outra razão a ser considerada decorre do desempenho da agropecuária no mesmo período, o qual inundou os mercados com volumes crescentes e, graças ao espetacular aumento da produtividade, barateou os alimentos". 

"Tal transformação eliminou o velho argumento econômico da necessidade da reforma agrária e, se a população rural mais pobre migrou para as cidades, igualmente a justificativa social deixou de existir”.

"Mas há ainda um aspecto decisivo: oferecer uma parcela de terra a famílias rurais não produz mais nenhum efeito prático, apenas garante uma sobrevida temporária. Em nossos dias, chegar à terra própria nada significa para os mais pobres do campo”.

“Produzirá a chance do autoconsumo ocasional, antes do abandono definitivo da terra, como evidenciado na maioria dos assentamentos rurais. De fato, trata-se de dura vilania política, pois, enquanto a miséria no campo se esconde atrás das muletas das políticas sociais, o governo federal coleta números destinados meramente ao autoelogio".

Navarro aponta: "Por tudo isso, a Reforma Agrária brasileira concluiu o seu ciclo de vida". Caro leitor, com todo o respeito, trata-se do fim de uma excrescência que sequer deveria ter nascido, pois os brasileiros tiveram de pagar um valor altíssimo por ela".

E conclui o sociólogo gaúcho: "Do ponto de vista econômico e produtivo, seu fracasso é assombroso, pois a área total dos assentamentos é maior do que a área plantada de todos os cultivos nos demais estabelecimentos rurais”.

“Mas, com surpresa, nada sabemos especificamente sobre a produção dos assentamentos, enquanto a agricultura brasileira se tornou uma das mais eficientes do mundo. É um confronto estatístico que desmoraliza qualquer defesa de tal política. Persistir em sua continuidade, portanto, beira a completa insanidade”.

"Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário, preso à sua anacrônica hibernação, mantém-se impassível ante a notícia acima e persevera em fantasias para justificar o clamoroso desperdício de vultosos recursos públicos, na tentativa de realizar o irrealizável”.


“Ainda mais espantoso, tenta ressuscitar o que já morreu. Resta saber se a autoridade maior do País terá a coragem de finalizar este capítulo de nossa História".

Pá de cal na Reforma Agrária e a pujança do ...


... setor agropecuário



Há mais de 50 anos o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira denunciara através das páginas da revista Catolicismo e da imprensa, de livros e manifestos que a Reforma Agrária socialista e confiscatória, o que lhe custara, aliás, ferrenhos ataques da esquerda católica e mesmo de alguns produtores rurais mais desavisados.

Com efeito, poderia ter ocorrido entre os menos politizados a visão um tanto ingênua de imaginar tratar-se de iniciativa que viesse – sobretudo sob a capa de ‘reforma’ – resolver muitos problemas que poderiam alavancar nossa agropecuária com produção e renda para proprietários e trabalhadores rurais.

Foram muitas matérias e livros demonstrando ad nauseam que por trás da “Reforma Agrária” se ocultava a violação do direito de propriedade, através da luta de classes – trabalhadores rurais x patrões – objetivo último do socialo-comunismo. Concorria para essa demagógica Reforma qualquer objurgatória que viesse a tisnar a até então respeitável figura do fazendeiro.

A luta foi – e ainda continua a ser – renhida entre os patronos da implantação da Reforma Agrária e os defensores da propriedade privada, da livre iniciativa e do princípio da subsidiariedade. Luta desigual, aliás, pois ao coro dos demagogos de plantão favoráveis à revolução no campo se encontrava a Conferência Nacional dos Bispos e boa parte da mídia.

Cabe ressaltar que, em boa medida, foi implantada a Reforma Agrária – hoje existem quase 100 milhões de hectares de terras agro-reformados com os chamados projetos de assentamentos onde os ditos sem-terra, lotados pelo governo, se estabelecerem. Contudo, hoje, sabemos todos que essa dispendiosa política redundou em deploráveis favelas rurais.

Com a proliferação delas, o tempo deu razão ao clarividente Prof. Plinio Corrêa de Oliveira e a corrente de pensamento por ele idealizada. Seu elevado custo ao longo desses 50 anos, através de órgãos como o mastodôntico INCRA e até de um Ministério só para a propalada Reforma, representou e ainda representa verdadeiro ralo de dinheiro dos impostos.


E por ironia do destino, enquanto os assentados continuam sem terra, colhendo miséria e desolação – pois as terras são públicas como os kolkozes soviéticos, não lhes pertencem e não lhes pertencerão – os proprietários particulares se sobressaem a cada safra com recordes de produção devido à pujança do agronegócio. 

(continua no próximo post)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

BRASIL DEVE ULTRAPASSAR EUA NA PRODUÇÃO DE SOJA...


... AO Garantir 50% DO MERCADO MUNDIAL
 
 
Se São Pedro ajudar, em 2023 a safra de soja brasileira deverá representar quase 50% das exportações mundiais. O Brasil só não irá ultrapassar o atual maior produtor do grão, Estados Unidos, - abrindo grande vantagem e tornando-se o maior fornecedor mundial - se for atingido por uma quebra de safra ocasionada, por exemplo, por uma intempérie climática.
 
Os dados são do Outlook Fiesp 2023, estudo no qual a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo analisa o Agronegócio no Brasil e seus resultados para a próxima década.
 
Divulgado na manhã desta quarta-feira (16/09), o Outlook Fiesp 2023 examinou 18 commodities agropecuárias – entre elas, milho, carnes, lácteos, cana-de-açúcar, açúcar, etanol e complexo soja  – e traçou projeções de consumo doméstico, produção, exportação, importação, estoques e área plantada, para o ano de 2023.
 
“Os resultados para os principais produtos mostram a urgente necessidade de se estabelecer políticas públicas que ofereçam sustentação e estímulo frente ao grande potencial produtivo do Brasil”, explica o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf.
 
Isto porque o país precisa estar preparado para escoar toda produção do setor, como por exemplo, as 238 milhões de toneladas de grãos e as 32 milhões de toneladas de carnes previstas para 2023. “Se nossa estrutura atual já é insustentável, como será com um incremento de 30% na produção de grãos e 20% em carnes?”, questiona Skaf.
 
Ao avaliar a posição do Brasil frente à tendência de consumo internacional, o Outlook Fiesp 2023 também constatou que continuaremos sendo um país chave na oferta mundial de alimentos e ampliaremos a participação de mercado para a maior parte dos produtos avaliados.
 
O estudo, que será atualizado anualmente, traz ainda informações sobre importação e demanda de fertilizantes, dinâmica do uso da terra e consolidação das regiões produtoras.
 
Para acessar os resultados detalhados clique aqui, ou acesse a página www.fiesp.com.br/outlookfiesp.
 
Deagro
O agronegócio brasileiro é considerado um dos mais dinâmicos do mundo e representa, aproximadamente, 25% do PIB nacional. Para oferecer maior suporte às indústrias deste setor a Fiesp criou, em janeiro de 2007, o Departamento do Agronegócio (Deagro).
 
Formado por divisões que representam os elos do agronegócio nas quais atuam as indústrias - Insumos, Agroindústria e Comércio Exterior – o Deagro trabalha alinhado ao conceito de cadeias produtivas para proporcionar o máximo de integração entre as diversas áreas que compõem o setor.
 
Na Fiesp, o departamento representa trinta sindicatos e mais trinta entidades representativas nacionais e lida, constantemente, com questões como tributação na cadeia de alimentos, política agrícola, facilitação de comércio, sanidade e qualidade de alimentos e legislações ambientais.
 
Dentre as prioridades do Deagro, está a publicação de informações que ajudem na elaboração de análises do agronegócio no Brasil. Além deste Outlook Fiesp, o departamento já lançou estudos sobre o peso dos tributos nos alimentos, as tendências para o setor de alimentos, o “Brasil Food Trends 2020”, além do “Agronegócio Brasileiro: Características, Desempenho, Produtos e Mercados” e O Reuso da Água na Agroindústria.
 
O departamento produz, ainda, relatórios de acompanhamento da safra Brasil e mundo, além do comércio exterior e inflação de alimentos, com base nos dados oficiais disponibilizados. Semanalmente são avaliadas as tramitações dos Projetos de Lei na esfera Federal e Estadual que envolvem o setor.
 
As publicações na íntegra e outras informações sobre o departamento podem ser encontradas no sitewww.fiesp.com.br/agronegócio
 
 
 
 
 
 
 
 

 


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Mais médicos ou mais comunismo?

 
Médicos cubanos... o fundo do problema!
  Gregorio Vivanco Lopes
          O PT e a equipe governamental defendem o programa “Mais Médicos” com unhas e dentes, entre outras razões porque o êxito do mesmo seria um importante trunfo para a anunciada candidatura a governador de São Paulo do atual Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Como também para a pretendida reeleição da presidente Dilma Rousseff.
             Mas há motivos inconfessados nesse imbróglio. Como é sabido, Cuba funciona como uma espécie de último bastião declaradamente comunista na América Latina. E as esquerdas em geral, em particular a petista, têm a peito manter o comunismo em Cuba custe o que custar, mesmo a preço de tiranizar a infeliz população local.
          “O contrato para envio de médicos cubanos ao Brasil é conquista estratégica — diplomática e econômica — para o governo de Cuba. A chancela da maior economia da América Latina ao programa médico cubano alarga o prestígio conseguido pelas chamadas ‘missões médicas’, iniciadas nos anos 1960 por ideia de Fidel Castro. A atuação dos médicos, formados no sistema cubano funciona como propaganda automática do regime” (Folha de S. Paulo, 3-9-13).
          Ademais, como o pagamento aos médicos não é feito diretamente a eles, mas sim ao governo cubano, que lhes repassa uma pequena porcentagem, o contrato redunda num considerável aumento de divisas para o governo de um país que o comunismo reduziu à miséria.
          “O agenciamento internacional de profissionais de saúde tomou-se tão rentável que o regime cubano passou a formar médicos em série. A exportação de médicos rende quatro vezes mais que os ingressos obtidos com o turismo” (Veja, 28-8-13).
          O fato de os médicos não receberem o salário que lhes é destinado tem sido verberado como trabalho escravo.
          Quando os primeiros cubanos chegaram a Fortaleza tiveram uma recepção significativa da esquerda brasileira. Os slogans que gritavam em coro, de modo bem treinado, falam por si: “Brasil, Cuba, América Central, a luta socialista é internacional”; “Segura o imperialista, a América Latina vai ser toda socialista”; “Viva Fidel e a Revolução”.
          De modo geral os médicos cubanos são mais vítimas do governo dos irmãos Castro do que culpados.
           O Dr. Gilberto Velazco Serrano, médico que conseguiu fugir da missão cubana na Bolívia e atualmente em Miami, afirmou: “O grupo de 140 pessoas não era formado apenas por médicos — havia pelo menos 10 paramilitares para impedir que a gente fugisse. Não me esqueço do que disse a chefe da brigada: ‘Vocês são guerrilheiros, não médicos. Não viemos à Bolívia tratar de doenças parasitárias, vocês são guerrilheiros que vieram ganhar a luta que Che Guevara não pôde terminar’” (“Veja”, SP, 31-8-13).
         Mais médicos ou mais comunismo?
 
(*) Gregório Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM

Farinha do mesmo saco e...

... sacos da mesma farinha
Marcos Luiz Garcia

         Faz anos que o trânsito de São Paulo dá mostras de saturação. Mais uma vez as autoridades tentam delinear uma solução para o problema e as ideias começam a aflorar. Para os petistas, o vilão da cidade é o proprietário do veículo particular, de todo semelhante ao vilão de nossos campos, o proprietário de terras.

         Na verdade, o denominador comum do pensamento esquerdista é que a propriedade privada representa o grande mal social, sobretudo a da terra, sobre a qual o homem deita mais raízes. Mas o veículo particular não deixa de ser propriedade privada e, na lógica comunista, deve ser execrado como o “latifúndio” do trânsito.

         Na esteira do clima gerado pelas invasões de prédios, para comunistizar a cidade São Paulo cumpre aproveitar-se também do trânsito. Que os proprietários de automóveis se preparem para suportar como os fazendeiros os ataques de várias frentes urbanas dos equivalentes ao MST, quilombolas e índios, além do IBAMA, FUNAI e INCRA.

         Cabe aos proprietários conhecer bem os seus direitos, para mais eficazmente se defenderem diante dos esquerdistas, que nesta hora se esquecerão de que os donos de veículos pertencem à classe que mais contribui com impostos, entre eles os embutidos no preço dos combustíveis; à classe que mais proporciona empregos, e assim por diante.

         Não deixa de ser curioso que poucos levantam a questão do inchaço populacional de São Paulo, especialmente do centro expandido, como causa do problema do trânsito. Poucos estudam possibilidades de estender a cidade para as periferias, multiplicando os centros comerciais e empresariais fora do atual centro.

         Parece comezinho, mas é preciso diminuir o afluxo de gente à região central e não verticalizar a população num centro já densamente populoso. Será que, julgando-se assim privilegiada pelas autoridades, a população laboriosa das periferias lhes retribuirá nas eleições? Tornar-se-á massa de manobra para reivindicações eivadas de lutas de classes e populistas?

         As autoridades deveriam se preocupar com o desenvolvimento das cidades de onde partem as massas migratórias, a fim de que seus habitantes se sintam bem nelas e não venham para as megalópoles. De elementar bom senso, isso pressupõe, entretanto, um aspecto estratégico fundamental para garantir seu êxito.

         E a receita é diametralmente oposta ao ideário socialocomunista, ou seja, estimular a propriedade privada e seu corolário, a livre iniciativa, a fim de gerar riqueza, emprego e renda. O erro é distribuir dinheiro de graça, que só dá retorno eleitoral, estimula a inação e não concorre para desenvolvimento algum.

         Ora, gerar propriedade e riqueza constitui uma das piores “heresias” contra o ideal imorredouro do petismo, da esquerda católica e de todo um mundo de políticos, que só se diferenciam quanto à velocidade na implantação do “paraíso” socialista, pois se equivalem no campo das ideias.

         Em sua grande maioria eles são farinha do mesmo saco, e os partidos, sacos distintos da mesma farinha. O que fará a cidade de São Paulo sob a batuta do atual prefeito do PT? Uma imensa Havana? De todo coração não o desejo, mas temo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Agronegócio já incomoda lá fora



 Muito além das commodities

 Edivaldo Del Grand (*)   

As perspectivas do agronegócio brasileiro são as mais promissoras dos últimos anos. A projeção da produção para 2014 é de 205 milhões de toneladas de grãos.
Nos últimos dez anos, o setor registrou forte expansão, acima de 50%. E a presença do agronegócio brasileiro no mercado externo é cada vez mais forte.

Esse papel incomoda. O agronegócio brasileiro sempre cresceu tendo que enfrentar os interesses de países da União Europeia e dos Estados Unidos que, apesar do discurso liberal e pró-mercado, são pródigos em criar barreiras e para impedir a comercialização de nossos produtos.

Na verdade, esses países impõem tarifas protecionistas para barrar produtos brasileiros porque têm que proteger uma agricultura menos produtiva. As vitórias do Brasil na Organização Mundial de Comércio (OMC), como no caso do algodão em relação aos EUA, dão um testemunho da situação.

Para ajudar, o Ministério da Agricultura tomou uma importante medida ao criar, em 2010, o cargo adido agrícola em oito embaixadas brasileiras: Buenos Aires (Argentina), Washington (EUA), Genebra (Suíça), Bruxelas (Bélgica), Moscou (Rússia), Pretória (África do Sul) Pequim (China) e Tóquio (Japão). Para que a missão possa ser cumprida, se faz necessário abrir cargos em mais países.

O agronegócio, portanto, vem ajudando o Brasil a conquistar novos mercados. Os produtos agrícolas têm grande peso na balança comercial, além de movimentar o mercado de máquinas, equipamentos e insumos.

Os impactos internos também têm ajudado a criar ilhas de prosperidade no Interior. Mas esse bom desempenho no setor deve ser considerado como mais uma etapa no processo de evolução do comércio exterior.

Agora, já está mais do que na hora de o Brasil dar um salto nas relações comerciais globais, superando a fase de vender apenas commodities, que são produtos de baixo valor agregado.

Para inverter a lógica e ampliar a comercialização de produtos com valor agregado, é necessário adotar medidas como a criação ou ampliação das cadeias produtivas.

A soja, por exemplo, pode ser processada em óleo para exportação; e o frango pode ser oferecido em cortes diferenciados.

Precisamos investir mais em tecnologia e inovação e estabelecer uma política industrial definida. Dessa forma, poderemos ampliar a criação de empregos e qualificar a mão de obra.

Com uma pauta de exportações com mais produtos de alto valor agregado o Brasil, cujo comércio externo já é pujante, terá muito mais força para combater ações protecionistas dos países industrializados e melhorar as regras do comércio mundial.

(*) Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo (Sescoop/SP)