sexta-feira, 29 de junho de 2012

MP destruirá 11 milhões de hectares da agricultura



 

Números do Ministério do 1/2 Ambiente



Estimativas preliminares do Ministério do ½ Ambiente indicam que a nova versão do Código Florestal levará à destruição de 11 milhões de hectares de áreas agrícolas em beiras de rios. 

Isso equivale a mais de 40% do território do Estado de São Paulo e pode custar mais de R$ 100 bi.

A conta foi feita com base nas novas regras estabelecidas pela MP 571 editada pela presidente Dilma Rousseff. 

O texto cobra a recuperação da vegetação às margens de rios de acordo com o tamanho das propriedades. Imóveis menores, de até 2 módulos fiscais terão que recuperar uma faixa menor. 

A recuperação de áreas agricultadas em beiras de rio vai variar de 5 a 100 metros em cada margem, de acordo com o texto da MP



A corda ruralistas!



 Nova tirania com disfarce jurídico

 

O mundo ao contrário: Advogado Geral da União explica o Artigo 1º 


do Código Florestal




Na última terça feira houve uma audiência pública da Comissão Mista que avalia a Medida Provisória do Código Florestal. Foi uma audiência chapa branca. 

Três ministros e meio participaram da audiência ao lado do Advogado Geral da União, Luiz Inácio Adams. Todos defenderam a posição do Governo que reflete a opinião da Ministra do Meio Ambiente e dos seus ambientalistas. 

Adams, na qualidade de advogado do executivo, foi questionado sobre a (in)pertinência da principiologia do Artigo 1º. A argumentação de Adams foi impressionante: o Art. 1º deve ser mantido pelas exatas razões que ele deve ser retirado.

De acordo com o advogado geral o Artigo 1º de uma lei deve não apenas estabelecer o objeto do diploma legal, mas também "ampliar o espaço de aplicação da norma". Para Adams, a principiologia do Artigo 1º estabelece "normas auxiliares ao processo interpretativo da lei."

É exatamente por isso que o Artigo 1º deve ser derrubado. A principiologia será um prato cheio para os ecólatras do Ministério Público e do Poder Judiciário que usarão essas muletas interpretativas para distorcer o conteúdo da lei como eles já fazem com o artigo 225 da Constituição Federal.

Mas Adams não para por aí. Na visão dele a principiologia é necessária porque a Democracia não funciona. O Congresso Nacional busca e estabelece a melhor solução. Todavia, ele também é instrumento político, e, como tal, ele mantém elementos de indeterminação decorrentes dessa composição, que vão ser depois eventualmente objeto de debate no Judiciário."

O Adams disse foi que a correlação de forças políticas no Congresso pode resultar em leis ruins e que a principiologia é necessária para que os agentes públicos possam corrigir a incompetência do Congresso. 

Para ele, "os princípios auxiliam esse processo de interpretação pelos agentes públicos, que vai adotar normativo de acordo com o adequado à regra principológica."

Adams continua: "Tem um segundo aspecto que eu acho importante, que é orientar a ação dos agentes públicos que implementam a própria legislação."

É um absurdo. Os ambientalistas de Izabella Teixeira enfiaram essa principiologia durante a tramitação no Senado para que ela pudesse ser usada pelo MP e pelo Judiciário na desconstrução do espírito dos demais artigos.

O artigo primeiro é uma armadilha. O que Luiz Inácio Adams disse, usando o juridiquês para engambelar a platéia, foi que a principiologia é, de fato, uma armadilha. 

As justificativas do Advogado Geral para a manutenção do Artigo 1º são exatamente as razões pelas quais ele deve ser arrancado do Código Florestal.

As falas do Advogado Geral foram retiradas das notas taquigráficas da Audiência Pública e a foto é de José Cruz, da Agência Brasil.










quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sensatez no preservar



Agricultores recebem para isso 

Programa da ONG The Nature Conservancy distribui R$ 1 milhão a 43 pequenos produtores rurais do Rio em troca da restauração das florestas

Bruno Deiro, enviado especial

Responsável por 80% do abastecimento da grande Rio de Janeiro, a bacia do Rio Guandu abriga um projeto de remunerar os agricultores que protegerem áreas de floresta próximas a nascentes.
No programa “Produtores de Água e Floresta”, cerca de R$ 1 milhão do pagamento dos usuários é destinado, durante 5 anos, a 43 produtores, que em troca cedem parte de suas terras para a restauração de matas ciliares.
“É uma opção para agricultores que vivem em municípios localizados na cabeceira de grandes cidades”, explica Fernando Veiga, gerente da ONG The Nature Conservancy (TNC), que implantou o projeto em 2004, depois de uma experiência bem-sucedida na região de Extrema (MG).
Para ingressar no programa, o agricultor tem de recuperar, no mínimo, 25% das matas ciliares de sua propriedade. Os valores mensais para os donos de terra variam entre R$ 60 a R$ 2 mil, de acordo com a extensão de área cedida.
Em troca, tem a obrigação de combater incêndio e a presença de animais na área protegida, que é demarcada com cercas pintadas de branco.
Em caso de regiões já danificadas, a restauração é feita pelas ONGs envolvidas e pela prefeitura. Duas vezes por ano, os técnicos comparecem às propriedades para fiscalizar a conservação.
Em Lídice, distrito de Rio Claro localizado a cerca de 130 quilômetros do Rio, outras 25 famílias de pequenos produtores rurais em breve serão beneficiadas com a ajuda mensal de custo, que tem o nome de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
Em agosto, um edital pretende expandir o sistema para outros 15 municípios vizinhos, ampliando o modelo para a bacia do Rio Paraíba do Sul.
Naturalmente de alta qualidade, a água do Rio Guandu também é consumida por gigantes como a Light e a Ambev.
“É o reconhecimento do crescente valor da água, que a cada dia é mais disputada no mundo. Para ampliar os valores do projeto, será preciso identificar qual o valor que a sociedade está disposta a pagar por isso”, afirma Veiga, da TNG.
Com uma topografia montanhosa, pouco adequada para a pecuária extensiva, a região de Lídice tem cerca de 500 pequenos produtores rurais que possuem matas ciliares em suas propriedades.
 Segundo os responsáveis pelo programa, a meta é ampliar o pagamento para 50% destes agricultores nos próximos anos. Atualmente, são pagos até R$ 50 anuais por hectare cedido – se na propriedade houver áreas de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), o valor passa para R$ 120.
Ação começou em Nova York

Há 15 anos, Nova York abriga o caso mais bem-sucedido de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
A prefeitura da cidade norte-americana deixou de gastar com sistemas de filtragem e destinou mais de US$ 1,5 bilhão na remuneração de proprietários que investissem na conservação das nascentes de rios e da mata ciliar.
Hoje, a água consumida pelos quase 9milhões de habitantes não precisa de tratamento químico e vem diretamente das montanhas de Catskill, no norte do Estado.
Além da questão ecológica, a prefeitura local aponta a vantagem econômica: a estação de tratamento poderia custar até US$ 8 bilhões, além dos altos gastos de manutenção.
Fonte: OESP, 27 de junho de 2012







Novo Código prevê ...



 ... "recuperar" área igual a 40% de SP



OESP, 27 de junho de 2012 | 9h 54

MARTA SALOMON - Agência Estado

Estimativas preliminares do Ministério do Meio Ambiente indicam que a nova versão do Código Florestal exigirá a recuperação de 110 mil km2 de vegetação às margens de rios. Isso equivale a mais de 40% do território do Estado de São Paulo ou pouco mais de 25% das Áreas de Preservação Permanente (APPs) já desmatadas no País.
A conta foi feita com base nas novas regras estabelecidas por medida provisória editada no começo do mês pela presidente Dilma Rousseff. O texto cobra a recuperação da vegetação às margens de rios com base no tamanho das propriedades, com vantagem para os imóveis menores, de até 2 módulos fiscais. A recuperação de áreas já desmatadas vai variar de5 metros a 100 metros em cada margem, de acordo com o texto em análise no Congresso.
Embora não chegue perto de recompor todas as áreas já desmatadas à beira de rios, a exigência feita pelo Código Florestal representará quase o dobro de toda a área de reflorestamento no País com pinus e eucalipto, ainda segundo informação do Ministério do Meio Ambiente. Desde os anos 50, teriam sido reflorestados 6 milhões de hectares ou 60 mil km2.
De acordo com cálculos do Ministério do Meio Ambiente, a recuperação total de APPs cairá para cerca de 100 mil km2 caso deputados e senadores mudem a medida provisória e reduzam a faixa de reflorestamento nas médias e grandes propriedades a 15 metros, conforme defendem parlamentares ruralistas.
A defesa das médias e grandes propriedades é um dos pontos mais polêmicos do debate. O lobby dos ruralistas representaria cerca de sete vezes o tamanho da cidade de São Paulo a menos na recuperação das APPs.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu ontem a fórmula adotada pelo governo, de cobrar uma recuperação menor da vegetação nas pequenas propriedades e o replantio de pelo menos 30 metros às margens de rios localizados nas propriedades com mais de 10 módulos fiscais.
"A prioridade é recuperar as APPs para garantir a oferta de água. Fizemos uma composição social e ambiental", insistiu. Izabella participou de audiência pública no Senado, ao lado de outros quatro ministros.
Será que esses dados estão corretos? É muita plantação destruída!



Rio+20: ecoburocratas rumo à utopia







Rio+20: reunião plenária do ecoburocratismo trabalhou a anos-luz
do que os homens pensam. Uma reunião obscura para a sociedade.
Foto Fabio Rodrigues Pozzebon-ABR
Na revistaÉpoca, Guilherme Fiuza, jornalista e autor de vários livros, teceu inteligentes comentários sobre um aspecto muito mencionado mas do qual pouco temos tratado neste blog.

É o lado interesseiro dos “ecoburocratas” beneficiados lautamente nas grandes encenações ambientalistas mundiais.

Estavam também eles na Rio+20. Mas não apenas os funcionários dos governos. Também os militantes das ONGs, crônicos “representantes da sociedade civil” que tão pouco e tão mal a representam, mas que não perdem uma. Quem paga tudo isso?

É de sublinhar que esse espírito interesseiro não é obstáculo à “governança” (ou ditadura) mundial verde que está se excogitando.

Funcionários venais são indispensáveis nos períodos iniciais das grandes revoluções.

Depois, hão de vir as “purgas” sobre esses “companheiros de viagem” da primeira hora ... como, aliás, já se viu em outras tentativas utópicas de mudar radicalmente os seres humanos e a Terra onde vivem.


Guilherme Fiuza, jornalista e autor de vários livros
Guilherme Fiuza, jornalista e autor de vários livros
Rio+20=0

Às vésperas da conferência Rio-92, 20 anos atrás, o secretário-geral da Cúpula da Terra, Maurice Strong, sentenciou: “Esta é a nossa última chance de salvar o planeta.”

Agora, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, avisa que a Rio + 20 é a “única oportunidade” de garantir um futuro sustentável.

Do jeito que as coisas vão, a Rio + 40 será a última oportunidade de salvar o mundo dos ecoburocratas, que estão cada vez mais contagiosos e letais.

Os negociadores dos mais de 130 países representados na conferência estão preocupados. Vários deles já disseram que a grande questão a ser decidida na Rio + 20 é quem vai financiar o desenvolvimento sustentável, com quanto dinheiro. E que não há acordo à vista sobre isso.

Talvez seja necessário responder a outra questão antes dessa: quem vai nos salvar dessas festas ecológicas milionárias que não decidem nada? Quem vai dar um basta nesses banquetes insustentáveis que discutem sustentabilidade?

Ninguém segura a patrulha da bondade e seu alegre circo do apocalipse.

No picadeiro da salvação sempre cabe mais um. É aquelaoportunidade valiosa para os ativistas de si mesmos descolarem mais um flash por um mundo melhor. 

O oportunismo é verde. 

Cientistas políticos gritam que o tempo está se esgotando, artistas buscam sofregamente algum bordão conceitual,mesmo que se atrapalhem um pouquinho – como na célebre frase de uma cantora de MPB em momento ético: “O problema do Brasil é a falta de impunidade”.

"A terra tem recursos limitados!" "Nós também" responde a miserabilizada Europa.  "A farra estatal é boa, mas um dia a conta chega", comenta Guilherme Fiuza.  Charge do International Herald Tribune
"A terra tem recursos limitados!" "Nós também" responde a miserabilizada Europa.
"A farra estatal é boa, mas um dia a conta chega", comenta Guilherme Fiuza.
Charge do International Herald Tribune
Enquanto a feira de lugares-comuns e o show de auto-ajuda planetária evoluem na avenida, o mundo piora. A crise nascida na Europa veio mostrar que a farra estatal é boa, mas um dia a conta chega.

Com a licença dos ecologistas: pode ser a última chance de se descobrir que não é o Estado que sustenta a sociedade, mas o contrário. E que não existe Estado forte com sociedade fraca.

Pois é nesse momento de alerta contra os governos perdulários que se monta o colossal almoço grátis da Rio + 20. Um banquete para discutir o desperdício. Haja sustentabilidade.

O que quer a faminta burocracia verde, com seus sábiosfashion de bolinha vermelha na testa e seus relatórios sobre o fim do mundo? 

Quer a Bolsa Ecologia. 

Quer mais dinheiro do contribuinte para mais relatórios, mais comissões, mais mesadas para ONGs, mais conferências coloridas e animadas. 

Rio+20: marcha contra Código Florestal  Bolsa ecologia já! Foto Marcello Casal Jr-ABR
Rio+20: marcha contra Código Florestal
Bolsa ecologia já! Foto Marcello Casal Jr-ABR
Enquanto isso, a vida real vai muito bem, obrigado, para monstros como a usina hidrelétrica de Belo Monte – uma estupidez ecológica, uma aberração econômica e um monumento ao desperdício estatal.

O custo cada vez mais insustentável da energia nuclear também não é problema para os abastados anfitriões da Rio + 20, como indica a construção de Angra 3 – cujo lixo radioativo tem garantia até a Rio + 2020.

Passaporte para o futuro é isso aí.

Duas décadas de sustentabilidade conceitual não chatearam os vilões reais. Na Rio-92 foram assinadas as Convenções de Biodiversidade e do Clima. A primeira instituiu o direito das populações tradicionais sobre o patrimônio genético de suas terras.

Enquanto a biotecnologia progride, os povos da maior floresta tropical da Terra continuam a ver navios no Rio Amazonas.

Os royalties que conhecem de fato são os do contrabando de madeira – porque infelizmente não podem se alimentar de convenções.

Já a Convenção do Clima gerou o que se sabe: uma sucessão de protocolos sobre redução das emissões de gás carbônico. Cada um é mais severo que o anterior, devidamente descumprido.

Com novos prazos de carência, as metas vão ficando mais ambiciosas, numa espécie de pacto com o nunca.

Rio+20: Marcha da Maconha na "Cúpula dos Povos".  Depois 'a culpa é do capitalismo' e o cidadão ordeiro  será penalizado com mais impostos  Foto Fabio Rodrigues Pozzebon-ABR
Rio+20: Marcha da Maconha na "Cúpula dos Povos".
Depois 'a culpa é do capitalismo' e o cidadão ordeiro
será penalizado com mais impostos
Foto Fabio Rodrigues Pozzebon-ABR
E aí está a patrulha da bondade em mais uma conferência planetária, reunindo os melhores especialistas internacionais em sustentabilidade e sexo dos anjos.

Eles vão dizer que o mundo vai acabar e a culpa é sua. 

Vão mandar você deixar seu carro na garagem e tomar banho rápido. 

Não vão falar em controle populacional, porque isso é de direita.

Eles são progressistas, sociais, amam cada um dos 7 bilhões de habitantes da Terra, que serão 10 bilhões até o fim deste século, todos muito bem-vindos.

O problema, claro, é do capitalismo individualista, cheio de egoístas que demoram no banho. 

Serão precisos muitos banquetes ecológicos para mudar essa mentalidade.

(Fonte: Época 19.6.2012)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

AMBIENTALISMO = CAVALO DE TROIA



Rio +20: Opinião

A economia verde é um 
cavalo de tróia invisível

Cumprindo uma extensa agenda de compromissos na Cúpula dos Povos desde o dia 14 de junho, quando participou da oficina 'Saúde, sustentabilidade e bien vivir' promovida pela Universidade Popular de Movimentos Sociais em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos participou de duas atividades de conversa com os participantes do evento no Aterro do Flamengo no último dia 9/6. 

O sociólogo comparou a principal proposta da ONU para a Rio +20 -- que prevê mecanismos de financeirização da natureza e é conhecida como economia verde -- ao presente de gregos a troianos. 

"É um Cavalo de Troia instalado na praia, é invisível e enorme. 

A economia verde é a cortina de fumaça que estão estabelecendo a nossa volta, porque é a melhor maneira para o capital global, financeiro, sobretudo, ter acesso à gestão dos recursos globais".


terça-feira, 26 de junho de 2012

MP do Código Florestal em discussão


 

Comissão mista é presidida pelo PT...

A comissão mista que analisa a MP que altera o novo Código Florestal reúne hoje ministros do Meio Ambiente, da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e das Cidades. 

Também foi convidado para a audiência pública o advogado-geral da União, Luís Inácio Lucena Adams, além dos presidentes da Embrapa e da Agencia Nacional de Águas.

Ao todo, são 32 alterações, das quais 14 são partes resgatadas do texto aprovado pelo Senado e depois modificado pelos deputados.

O relator, senador Luiz Henrique considerou corretos os vetos de Dilma. Ele tem repetido sua disposição de construir um relatório que seja fruto de entendimento. Seu desafio será acomodar os interesses que motivaram as 696 emendas à MP.

O senador deve apresentar seu relatório no dia 4 de julho e a previsão é que o texto seja votado na comissão até o dia 10 de julho.

A comissão mista tem o deputado Bohn Gass (PT-RS) e o senador Jorge Viana (PT-AC) como presidente e vice-presidente, respectivamente...

Fonte: TV Terra Viva