terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A voz dos rodeios: "de shorts e chinelos, não!"



Voz dos rodeios reproduz tendência conservadora de um Brasil rancheiro e agrícola
Simon Romero
Em Goiânia

Chapéu de caubói? Tem. Botas de couro de avestruz? Tem. Fivela do cinturão com a inscrição em inglês "Get Tough" [Seja durão]? Tem.
"Vestimo-nos como caubóis nesta parte do país", disse Cuiabanno Lima, explicando sua indumentária enquanto atacava um pedaço de costela em uma churrascaria nesta cidade, no coração do cinturão agrícola brasileiro. "Simplesmente não posso entrar aqui usando shorts e chinelos. Sinto muito, mas aqui não é o Rio de Janeiro."
Lima, 40, um aclamado locutor de rodeios, tem razão. Caminhonetes salpicadas de lama percorrem as ruas de Goiânia. Música sertaneja berra de alto-falantes em bares a céu aberto. Lojas como West Land, Texas Center e Botas Goyazes vendem apetrechos do oeste dos EUA.
O crescimento da cultura do caubói aqui reflete grandes mudanças no Brasil nas últimas décadas. Instigado pela crescente demanda global por alimentos, o Brasil evoluiu para ser uma locomotiva agrícola, destacando-se como grande exportador de soja, milho, açúcar e café.
O país também se classifica entre os maiores produtores de carne do mundo, com um rebanho bovino que cresceu mais de 30% desde 1990, chegando a cerca de 215 milhões de cabeças. Isso dá ao maior país da América Latina, com uma população de 206 milhões, mais bois que gente.
A economia brasileira está mergulhada em um longo declínio, mas o agronegócio continuou firme durante a crise. A expansão de um circuito de rodeios no Brasil, com centenas de competições bem produzidas realizadas no vasto interior a cada ano, indica a importância da pecuária como um pilar da economia.
É aí que entra Lima, como um porta-voz não oficial dos Estados agrícolas do Brasil.
Embora desconhecido por muitos moradores das cidades costeiras do país, ele conquistou fama no interior como apresentador de rodeios com um estilo exagerado que poderia chocar alguns de seus homólogos nos EUA, e por adotar posições socialmente conservadoras em um país que está virando à direita.
Em uma entrevista sinuosa durante um almoço com cerveja e quantidades copiosas de carne, Lima manifestou suas opiniões sobre diversas questões, incluindo a religião (ele se considera um católico ferrenho que também frequenta uma igreja evangélica), o papel das mulheres na sociedade (suas opiniões parecem se refletir em um vídeo de música country que ele fez, em que se gaba de ter pago pela cirurgia plástica de uma dona de casa) e o meio ambiente.
"Não me pergunte sobre a Amazônia", disse Lima, referindo-se à vasta bacia hidrográfica onde, segundo as autoridades, a expansão da fronteira agrícola destruiu ilegalmente grandes áreas da floresta tropical. "Eu voei sobre a Amazônia em um pequeno avião e tudo o que vi durante horas foram árvores. Confie em mim, podemos desmatar muito mais, se for preciso."
A disposição de Lima a manifestar publicamente o que muitos brasileiros dizem em particular reflete, talvez, um desejo de chamar a atenção. Enquanto ele percorre o circuito de rodeios em sua caminhonete Mitsubishi Titan, as competições em que Lima trabalha dão muitas vezes tanta importância a ele quanto aos peões montadores.
Em um rodeio em Goiânia, (...) depois de cantar o hino nacional brasileiro, ele conduziu os competidores em uma longa oração antes de seguir com o evento. Ele costuma contar piadas, exala orgulho sobre a cultura rancheira do Brasil e irrompe em canções enquanto descreve os aspectos técnicos dos peões que competem por prêmios em dinheiro.
"Eu amo os EUA e reconheço o quanto devemos à cena do rodeio de lá, mas o pessoal no Brasil espera um pouco mais de seus apresentadores", explicou. "O que sou eu, essencialmente? Um contador de histórias."
Lima virou apresentador de rádio depois de estudar três coisas: direito, jornalismo e a arte dos palhaços. Ele disse que foi durante essa época na escola de palhaços no Rio, quando tentava encontrar uma entrada no show business, que aprendeu "a lição valiosa de rir dos meus próprios fracassos".
"Filho bastardo de um fazendeiro", como ele mesmo se descreve, Lima foi criado pela mãe, uma lojista, em Barretos, cidade no Estado de São Paulo que há muito é o epicentro da cena de rodeios brasileiros. Lima viaja durante o ano todo para várias regiões agrícolas, mas ainda vive em Barretos com sua mulher e seu filho.
Para surpresa de alguns de seus fãs, ele nem sempre foi Cuiabanno Lima. Seu nome de batismo é Andraus Araújo de Lima; Andraus também era o nome de um edifício de São Paulo que pegou fogo em 1972, uma tragédia em que as pessoas que tentavam escapar das chamas foram filmadas saltando para a morte dos andares mais altos.
"Obviamente eu precisava de um novo nome, algo que falasse da grandeza do interior do Brasil", disse ele sobre seu nome artístico. "Cuiabanno" se refere aos nativos de Cuiabá, a capital do Mato Grosso, na fronteira oeste, um Estado com empresas agrícolas florescentes.
Em um país onde os ativistas pelos direitos dos animais se tornaram mais veementes nos últimos anos, nem todo mundo aprecia a exaltação feita por Lima das proezas do agronegócio no país.
"Cuiabanno não passa de um bobo da corte em um cenário de rodeios dominado por fazendeiros ricos e patrocinadores empresariais", disse Leandro Ferro, presidente do grupo sem fins lucrativos Odeio Rodeio, de São Paulo, que busca aumentar a consciência sobre denúncias de crueldade contra os animais nos rodeios brasileiros.
Lima zomba dessas críticas, afirmando que seus adversários são irreais sobre a importância da agricultura e da pecuária na sociedade contemporânea.
"Nem todo mundo pode comer orgânico, comer folhas em embalagens caras", disse ele. "O mundo precisa de proteína animal, e o Brasil a fornece."
Quanto aos rodeios, Lima disse estar feliz porque eles estão virando um grande negócio com o apoio de corporações. Ele comentou com orgulho que os "caubóis" brasileiros se tornaram tão hábeis em algumas competições, como a montaria em touros profissional, que se classificam entre os que ganham mais dinheiro nos EUA.
Apesar de defender esse feitos, juntamente com sua própria proeminência crescente, Lima afirma que as elites das cidades como São Paulo e Rio preferem ignorar os sinais evidentes de que a cultura rancheira do Brasil, com seus valores conservadores, está ganhando proeminência.
Na política brasileira, por exemplo, um bloco poderoso que representa grandes proprietários de terras e interesses agrícolas em grande escala, exerce uma influência considerável no Congresso. E um subgênero da música country brasileira chamado sertanejo universitário, que atende às aspirações da classe média educada, cresceu em popularidade.
"Produzimos a riqueza do país e cada vez mais a cultura que as pessoas consomem, mas o interior do Brasil continua abandonado", disse Lima. "Alguma coisa nessa equação tem de mudar."




segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Vocação do Brasil: alimentar o mundo



Alimentar o mundo

Evaristo de Miranda

O mais vendido refrigerante do mundo define sua missão como a de “saciar a sede do planeta”. A missão do Brasil já pode ser: saciar a fome do planeta. E com os aplausos dos nutricionistas.

Em 2015 o Brasil produziu 207 milhões de toneladas de grãos para uma população de 206 milhões de habitantes. Ou seja, uma tonelada de grãos por habitante. Só a produção de grãos do Brasil é suficiente para alimentar quatro vezes sua população, ou mais de 850 milhões de pessoas. Além de grãos, o Brasil produz por ano cerca de 35 milhões de toneladas de tubérculos e raízes (mandioca, batata, inhame, batata doce, cará, etc.). Comida básica para mais de 100 milhões de pessoas.

Frutas – A agricultura brasileira produz, ainda, mais de 40 milhões de toneladas de frutas, em cerca de 3 milhões de hectares. São 7 milhões de toneladas de banana, uma fruta por habitante por dia. O mesmo se dá com a laranja e outros citros, que totalizam 19 milhões de toneladas por ano. Cresce todo ano a produção de uva, abacate, goiaba, abacaxi, melancia, maçã, coco...

Às frutas tropicais e temperadas se juntam 10 milhões de toneladas de hortaliças, cultivadas em 800 mil hectares e com uma diversidade impressionante, resultado do encontro da biodiversidade nativa com os aportes de verduras, legumes e temperos trazidos por portugueses, espanhóis, italianos, árabes, japoneses, teutônicos e, por aí, vai longe.

À produção anual de alimentos se agrega cerca de 1 milhão de toneladas de castanhas, amêndoas, pinhões e nozes, além dos óleos comestíveis – da palma ao girassol – e de uma grande diversidade de palmitos.

Não menos relevante é a produção de 34 milhões de toneladas de açúcar/ano, onipresente em todos os lares, restaurantes e bares. A produção vegetal do Brasil já alimenta mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, usando para isso apenas 8% do território nacional.

Carnes – E a tudo isso se adiciona a produção animal. Em 2015 o País abateu 30,6 milhões de bovinos, 39,3 milhões de suínos e quase 6 bilhões de frangos. É muita carne. Coisa de 25 milhões de toneladas! O consumo médio de carne pelos brasileiros é da ordem de 120 kg/habitante/ano ou 2,5 kg por pessoa por semana. A estimativa de consumo médio de carne bovina é da ordem de 42 kg/habitante/ano; a de frango, de 45 kg; e a de suínos, de 17 kg; além do consumo de ovinos e caprinos (muito expressivo no Nordeste e no Sul), de coelhos, de outras aves (perus, angolas, codornas...), peixes, camarões e crustáceos (cada vez mais produzidos em fazendas) e outros animais.

Mudança e agradecimento – Em 50 anos, de importador de alimentos o Brasil tornou-se uma potência agrícola.Nesse período, o preço dos alimentos caiu pela metade e permitiu à maioria da população o acesso a uma alimentação saudável e diversificada e a erradicação da fome. Esse é o maior ganho social da modernização agrícola e beneficiou, sobretudo, a população urbana. O Brasil saiu do mapa dos países com insegurança alimentar.

Como o crescimento da população e das demandas urbanas, o que teria acontecido na economia e na sociedade sem esse desenvolvimento da agricultura? Certamente, uma sucessão de crises intermináveis. Era para a sociedade brasileira agradecer todo dia aos agricultores por seu esforço de modernização e por tudo o que fazem pelo País. A Nação deve assumir a promoção e a defesa da agricultura e dos agricultores, com racionalidade e visando ao interesse nacional.

Caminho da recuperação no campo – As pistas estão no agronegócio. Sinais de recuperação, ainda escassos em outros setores, aparecem bem mais claramente na atividade do campo.

A melhora da economia brasileira em 2017, depois de dois anos de recessão, pode começar pelo campo, com uma safra de grãos de 213,1 milhões de toneladas – se o tempo, como se espera, for favorável.

Sinais de recuperação, ainda escassos em outros setores, aparecem bem mais claramente na atividade do campo. Se as previsões se confirmarem, os produtores, com mais dinheiro, poderão dar um bom impulso aos negócios, inicialmente no interior e depois em toda a cadeia de circulação de bens e serviços. Além disso, a maior oferta de alimentos e matérias-primas garantirá preços mais estáveis e previsíveis, mas esse efeito dependerá também do desempenho de outros tipos de lavouras e da pecuária.


A colheita prevista para a safra 2016-2017 será 14,2% maior que a da temporada anterior, pelos números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), subordinada ao Ministério da Agricultura. Esse aumento compensará com alguma folga o recuo do ano anterior, quando a produção, de 186,6 milhões de toneladas, prejudicada pelas condições do tempo, foi 10,6% menor que a de 2014-2015. (O Estado de São Paulo, 12/12/2016).

domingo, 8 de janeiro de 2017

Aos que custam a crer: A “Nova-URSS” e suas “armas" infláveis


A “Nova-URSS” e suas “armas”... infláveis

Luis Dufaur

“MIG 31″ sendo inflado perto de Moscou

Na Rússia de Putin, políticas religiosas e conservadoras e a “maskirovka” para forjar novas mentiras
Algumas das “mais modernas armas russas” puderam ser vistas e fotografadas num campo perto de Moscou. Ali, trabalhadores manipulando tecidos sintéticos verdes e compressores de ar criavam “armas” impressionantes em questão de minutos, segundo informou “The New York Times”.

O assustador MIG-31 cinza escuro [foto ao lado e acima ] aparecia subitamente como que do nada com a estrela vermelha em suas assas. 

Parecia muito real, sobretudo, se visto a 300 metros de distância.
Mas na ex-URSS esse truque é velho de guerra. Faz lembrar o cavalo de Troia, aliás esse mais poético, ou a ordem corânica de Maomé de os soldados velhos pintarem os cabelos brancos para parecerem mais jovens e fortes…
A Rússia montou um arsenal de disfarces e trapaças para suas forças armadas, dentro do contexto mais vasto da guerra rotulada “maskirovka” (literalmente = dissimulação, engano).
Veja mais em “Maskirovka: a guerra não-militar que invade e conquista”http://flagelorusso.blogspot.com.br/2016/07/maskirovka-guerra-nao-militar-que.html
Um “caminhão com mísseis” perto de um “MIG 31″ já já inflado…

Maskirovka tem um papel cada vez mais importante para as ambições geopolíticas imperialistas da “nova-URSS”.
“Se você estudar as grandes batalhas da história, perceberá que o uso de trapaças sempre vence”, disse o engenheiro militar Alexey Komarov. “Ninguém vence jogando limpo.”
Komarov supervisiona a venda de armas na Rusbal, ou Balões Russos [foto ao lado].

A empresa fornece ao Ministério da Defesa da Rússia uma das ameaças militares menos conhecidas nos países que podem ser suas futuras vítimas: um crescente arsenal de tanques, jatos e lançadores de mísseis infláveis.
A Rússia de Putin está retornando ao cenário geopolítico, se imiscuindo na vida política dos países ocidentais, empregando táticas escusas.
Ela silencia inimigos no exterior, manipula a igreja Ortodoxa e promove uma fingida contrarrevolução conservadora conquistando pecuniariamente políticos e partidos nos países que quer submeter.
Putin quer seduzir políticos ocidentais de recente conversão a posições ‘cristãs’. Na foto com François Fillon, então ministro de Relações Exteriores da França
Uma farta rede de trolls, antigas redes de influência da URSS agora reativadas e novas agências de notícias, TV ou Internet difundem falsas informações calculadas para enganar as audiências ou os internautas no Ocidente.
A “maskirovka” tem que manter o inimigo na incerteza, jamais admitir as verdadeiras intenções e usar todos os meios, tanto propagandísticos quanto militares, para conferir aos soldados do país a vantagem da surpresa, e revestir aos políticos seduzidos do Ocidente de uma máscara de conservadorismo de recente data.
A  doutrina não hesita em apelar à desinformação política em alto nível e o uso de formas astuciosamente evasivas de comunicação.
É claro que as armas infláveis se encaixam bem nos estratagemas da maskirovka.
É um recurso velho para quem está em inferioridade de condições de combate, mas se é útil contra adversários decadentes, então vale tudo.
Vídeos no Youtube se encarregam de mostrar “as fabulosas armas novas que vão prostrar” a NATO e os EUA enquanto os operários enchem de ar sacolas que virarão “modernos tanques”, “aviões”, “lança mísseis” e tudo o que servir para enganar sobre o verdadeiro potencial bélico russo.

A maior utilidade vem se revelando na camuflagem de ideias através da desinformação. A “nova-Rússia” se apresenta como religiosa e conservadora se isso serve para desviar a atenção do adversário, dividi-lo e leva-lo à confusão e a uma capitulação.
Praticamente todos os grandes movimentos de tropas russos e soviéticos dos últimos 50 anos, da Primavera de Praga ao Afeganistão, Tchetchênia e Ucrânia, começaram por um truque simples e efetivo: soldados chegando ao local de combate à paisana, explica o jornal americano.
Em 1968, por exemplo, um voo da Aeroflot, a companhia estatal de aviação soviética, transportando número desproporcional de homens jovens e saudáveis, que subsequentemente capturaram o aeroporto de Praga.
Em 1983, soldados soviéticos disfarçados de turistas viajaram à Síria, em uma manobra que ficou conhecida como “camarada turista”.
A aparência de misteriosos soldados usando uniformes camuflados em Cabul, no Afeganistão, e Grozny, na Tchetchênia, serviu como presságio ao envio de muito mais tropas, em 1979 e 1994.


O tanque T80 sendo montado para enganar satélites americanos 

Foi o caso dos “homenzinhos verdes” na Criméia a partir de fevereiro de 2014, ou do cerne das milícias separatistas “ucranianas” recrutadas no coração da Rússia ou transportadas direto de guarnições do exército russo.
Esses antecedentes preocupam aos estrategistas e pensadores clarividentes, em mais de um país vizinho. Mas não tiram o sono dos decadentes. Ou dos cúmplices…
A Rusbal não revela quantos tanques infláveis já produziu, porque os números são sigilosos.

Mas a diretora da firma Maria A. Oparina reconheceu que a produção cresceu muito nos últimos 12 meses. 

Ela emprega integralmente a maioria de seus operários na costura das armas infláveis, em sua divisão militar.

“Na guerra, não existem acordos de cavalheiros”, repete Oparina. “Quem tiver os melhores truques sobrevive.”

Vladimir Putin sabe bem disso, e paga o desenvolvimento das “novas armas” para enganar mais os “decadentes” ocidentais.


Dom Arns favoreceu a liberdade?


Estilhaçando uma cláusula pétrea

Péricles Capanema

“Não serão objetos de deliberação diz a Constituição, artigo 60, § 4º , a forma federativa de Estado, o voto secreto, direto, universal e periódico; a separação dos Poderes; os direitos e garantias individuais. Interdições, são chamadas cláusulas pétreas.

Existem cláusulas pétreas fora da Constituição, nos mais variados âmbitos, social, familiar, profissional. Proibições severas, sentidas por todos, têm o efeito de verdadeiros fatwas, cuja violação acarreta sanções graves.

Pensava nelas enquanto lia o volumoso noticiário relativo ao falecimento de dom Paulo Evaristo Arns em 14 de dezembro último aos 95 anos. À maneira de cláusulas pétreas, havia temas que não podiam ser levantados. Vou correr o risco, estilhaçando uma.

Suas exéquias representaram consagração raras vezes presenciada no Brasil, esteve pouco aquém das homenagens prestadas a Tancredo Neves em abril de 1985. Três dias de luto oficial, cerimônias pomposas, elogios e ditirambos de todos os quadrantes. O fumo fresco do incenso proclamava em uníssono, dedicou a vida aos pobres e à defesa dos direitos humanos.

Apenas como exemplo, o preito dos três últimos presidentes. Michel Temer: “Dom Paulo foi um defensor da liberdade e sempre teve como norte a construção de uma sociedade justa e igualitária. O Brasil perde um defensor da liberdade e ganha [...] um personagem que deixa lições para serem lembradas eternamente”. Dilma Rousseff: “Grande líder progressista, incansável na defesa dos direitos humanos e da liberdade [...] símbolo da luta pela democracia. O Brasil perde um defensor dos pobres. [...] Descanse em paz, amigo do povo”.

Lula: “O mundo perde um vulto gigante na defesa universal dos direitos humanos. [...] Franciscano que era, seguiu o exemplo de seu mestre para seguir uma clara opção preferencial pelos oprimidos em sua Igreja da Libertação. Semeou e cultivou Comunidades Eclesiais de Base, revolucionou a formação dos seminários”. Já não presidente, mas do governador Geraldo Alckmin: “Ao longo da vida, ele escolheu a linha de frente para defender os mais fracos e os feridos pela injustiça. Ajudou, assim, a mudar a história do Brasil”.

O tom geral foi esse. Sei, conta o de mortuis nil nisi bonum, dos mortos só se devem dizer coisas boas. A exceção, personagens históricos; dom Paulo foi um deles. No Brasil, a mais destacada figura da esquerda católica na segunda metade do século 20, corifeu do progressismo litúrgico e do esquerdismo social e político.

Os jornais relataram ainda, embora em tom menor, os choques do antigo arcebispo de São Paulo com João Paulo II. O Pontífice polonês conhecia bem os horrores do comunismo e acompanhava com fundadas reservas a atuação do antístite paulistano que favorecia aqui o que lá ele combatia.

Foi também noticiado que dom Paulo seguia orientação oposta à dos dois últimos pontífices, João Paulo II e Bento XVI (1978-2013). Chocou-se pública e rumorosamente com o cardeal Ratzinger, quando o na ocasião Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, apoiado pelo Papa, aplicou sanções justas ao então frei Leonardo Boff.

Um aspecto da atuação pública de dom Paulo Evaristo não foi ventilado (procurei nos jornais, não encontrei): o favorecedor de tiranias. Embora tantas vezes contraintuitivo, nem sempre quem guerreia pelos direitos humanos, favorece a liberdade. Pode ajudar o totalitarismo e infelizmente foi o caso dele.

A atuação pública de dom Paulo beneficiou os que, por doutrina e em documentos programáticos, apunhalam as liberdades naturais. Bastaria mencionar a promoção das comunidades eclesiais de base, sementeira de boa parte dos quadros mais extremados do PT e de outros partidos de esquerda. Ainda o apoio à Teologia da Libertação, que buscou em Marx sua base para análise social (e ali está a pregação da luta de classes e da ditadura do proletariado).

O que faz hoje no Brasil o MST e a Pastoral da Terra? Não ocultam suas metas coletivistas, encharcadas de tirania. Não escondem seu culto a Fidel Castro (modelo), o mais sanguinário e cruel tirano da América Latina. A respeito, é penosa a constatação, seguem trilha aberta pelo antigo arcebispo. O Estadão de 19 de janeiro de 1989 publicou carta de dom Paulo a Fidel Castro, na qual o Purpurado afirma:

“Queridíssimo Fidel, [...] Aproveito a viagem de frei Betto para lhe enviar um abraço e saudar o povo cubano por ocasião deste 30º aniversário da Revolução”. [NB: Não custa lembrar, revolução comunista ateia, que trouxe miséria pavorosa e ditadura feroz para Cuba].

Aí dom Paulo, para conseguir elogiar Castro, com particular cuidado esbofeteia a verdade: “O povo de seu País conseguiu resistir às agressões externas para erradicar a miséria. [...] Hoje em dia Cuba pode sentir-se orgulhosa de ser [...] exemplo de justiça social. A fé cristã descobre nas conquistas da Revolução um ensaio do Reino de Deus”.

Indica esperanças: “Confio que nossas comunidades eclesiais de base saberão preservar as sementes da nova vida. [...] Receba meu fraternal abraço nos festejos do 30º aniversário da Revolução Cubana”. Coerentemente, o cardeal-arcebispo beneficiou aqui com seu poder e prestígio, correntes que, não fosse a recusa popular, nos precipitariam em situação parecida com a tragédia vivida pelos cubanos (menos os da Nomenklatura). Ou dos venezuelanos, com a exceção dos donos do poder.

Verdade translúcida: a atuação de dom Paulo favoreceu tiranias de sua época e estimulou a consolidação de futuras ditaduras. Silêncio eloquente e hipócrita pesa a respeito, sobre essa constatação ninguém (ou quase ninguém) ousa falar. À maneira de cláusula pétrea, todo o Brasil sofre a interdição de exprimir o óbvio ululante. 

Vamos estilhaçá-la, a verdade pavimenta o caminho para liberdades autênticas, nas quais os pobres têm possibilidades de desenvolver suas potencialidades, o grande estímulo para crescerem. Veritas liberabit vos (Jo 8, 32). A mentira é atalho para tiranias e misérias.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Água e segredos da natureza X psicose ambientalista


                 
Cientistas acham oceanos de água no manto 

terrestre, mas “verdes” espalham pânico de 

desertificação da Terra

Luis Dufaur (*)
               

Pesquisadores de Northwestern University Illinois descobriram que as camadas superficiais do planeta Terra encerram numerosos oceanos de água. Um dos mais profundos se encontra a mais de mil quilômetros de profundidade, segundo noticiou “Atlantico”. http://www.atlantico.fr/atlantico-light/chercheurs-ont-decouvert-eau-profondeur-1000-km-terre-2892210.html

“Se esse oceano não se encontrasse nessa profundidade nós ficaríamos submersos, explicou Steve Jacobsen da Northwestern University, num artigo publicado pela revista Lithos.

“Isso implica a presença de uma reserva de água no planeta muito maior do que se pensava antes”, sublinhou.
  
A presença dessa água em grandes profundidades foi denunciada por um diamante que foi ejetado por um vulcão perto do rio São Luiz, em Juina, no Mato Grosso, divisa com Rondônia.

Os pesquisadores estudaram com microscópio infravermelho as imperfeições do diamante e identificaram uma prova inequívoca provocada por essas águas, segundo Steve Jacobsen.

Na hora de analisar a profundidade na qual teria se formado dito diamante a composição dos materiais pedia temperaturas e pressões muito elevadas, características da parte mais profunda do manto terrestre, camada da Terra, localizada entre a crosta e núcleo terrestres, com profundidades que vão de 30 km abaixo da crosta até 2.900 km e onde as temperaturas podem atingir os 2.000º.
  
A composição do mineral levou os pesquisadores a estipular que foi gerado num profundidade de por volta de 1.000 kms.

Nele os cientistas identificaram “a assinatura da água” que só poderia estar nessa profundidade. Por isso eles acreditam ter a prova de que o ciclo da água da terra é bem maior do que se conhecia até agora e vai até essa profundidade do manto terrestre.

Segundo Steve Jacobsen a descoberta traz dados “sobre a origem da água no planeta e sugere que essa água já existia no momento em que a terra foi formada”.

“Ignoramos como a água foi ter numa tal profundidade. Ela podia chegar até o manto há dezenas de milhões de anos por causa do movimento das placas tectônicas primitiva”, disse o cientista.

Steve Jacobsen acha que esses oceanos submersos explicam por que a Terra é o único planeta conhecido que possui placas tectônicas. A água se introduz no manto pela crosta oceânica e “favorece o amolecimento das rochas e assim ajuda aos movimentos das placas tectônicas agindo como lubrificante”, concluiu.


          (*) Luis Dufaur é escritor, jornalista, conferencista de política internacional e colaborador da ABIM


Enquanto uns trabalham e produzem outros debocham...






...Heróis produtores rurais chamados de "monstros"...

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) repudia, com indignação e veemência o samba-enredo e as demais peças publicitárias divulgados pela escola Imperatriz Leopoldinense para o Desfile de Carnaval de 2017. 

Ao criticar duramente o agronegócio, o grupo mostra total despreparo e ignorância quanto à história brasileira e à realidade econômica e social do país.

Antes de mais nada, é preciso esclarecer e reforçar que o país do samba é sustentado pela pecuária e pela agricultura. 

Chamados de “monstros” pela escola, nós, produtores rurais, respondemos por 20% do PIB Nacional e, historicamente, salvamos o Brasil em termos de geração de renda e empregos. 

Com o tempo e com o nosso talento de produzir cada vez mais – e de forma sustentável - trouxemos para nossa nação o título de campeã mundial de produção de grãos e de proteína animal.

Inaceitável que a maior festa popular brasileira, que tem a admiração e o respeito da nossa classe, seja palco para um show de sensacionalismo e ataques infundados pela Escola Imperatriz Leopoldinense. 

O setor produtivo e a sociedade não podem ficar calados diante a essa injustiça. É preciso que o Brasil e os brasileiros não só enxerguem e reconheçam a importância do nosso setor, como se orgulhem dessa nossa vocação de alimentar o mundo.

Com a responsabilidade que lhe cabe, a ABCZ vem a público reforçar o compromisso de seus 21 mil associados de produzir cada vez mais carne e leite com práticas sustentáveis e seguras. E, assim, enaltecemos, também, o nosso empenho em zelar pela preservação do meio ambiente.

Arnaldo Manuel Machado Borges

Presidente da ABCZ

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O movimento ambientalista brasileiro é uma fraude



O movimento ambientalista brasileiro é uma 

fraude


Leio no Canal Rural, o braço de comunicação e marketing do Grupo JBS, que o Brasil não produz hoje nem a metade da borracha natural que consome. Consumimos 412 mil toneladas e produzimos apenas 193 mil toneladas. Menos de 1% da produção nacional vem do extrativismo de seringais nativos. O movimento ambientalista brasileiro é uma fraude. Nos anos 80 os ecólatras fizeram o mundo acreditar que o extrativismo era o futuro da Amazônia. Era mentira.

O ambientalismo brasileiro é uma fraude. Diante da incapacidade de alcançar o desenvolvimento sustentável em todas as duas dimensões, os ecólatras esquecem a dimensão social e econômica. Seu foco é a proteção ambiental. Escudados pelos simbolismo do termo sustentabilidade, os canalhas violentam as pessoas.

Veja a matéria do Canal Rural, o braço de comunicação e marketing do Grupo JBS: Setor de borracha no Brasil busca autossuficiência da produção publicada em 25 de Dezembro de 2016.

Aliás, quem conhece o trabalho do Professor Alfredo Homma, da Embrapa Amazônia Oriental, sabe muito bem que os ambientalistas mentem quando oferecem o extrativismo como alternativa sustentável.

Imagem: Composição do fotor.com com fotos de Valter Campanato e Marcelo Camargo, da Agência Brasil, e Arison Jardim, da Secom Acre.

Veja você mesmo:

HOMMA, A. K. O.. Extrativismo vegetal na Amazônia: limites e oportunidades.. Brasília: EMBRAPA-SPI, 1993. v. 1. 202p.

HOMMA, A. K. O.. Extrativismo vegetal na Amazônia: história, ecologia, economia e domesticação. 1. ed. Brasília, DF: Embrapa, 2014. v. 1. 468.