segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Consenso se derrete...




Geleira desmente profecia ecologista

 Luis Dufaur

       A superfície gelada do Ártico, que vinha se encolhendo nos últimos anos, atingiu em agosto último uma área 60% maior que na mesma data do ano passado.

       Até então, a maior expansão da camada de gelo já registrada no Polo Norte foi em 1996, e a menor em 16 de setembro de 2012, quando atingiu o mínimo absoluto, segundo dados da NASA.

       Ao contrário do Polo Sul, no Polo Norte não há terra sob o gelo, e sua superfície gelada forma uma carapaça de três a 200 metros de profundidade.

       Por isso, ele é muito sensível a ligeiras modificações, e sujeito a mudanças de ano para ano. Submarinos americanos em missão científica costumam emergir por lá, rompendo com facilidade essa casca relativamente frágil.

       De muito maior envergadura é o que vem ocorrendo no Polo Sul, onde o gelo se encontra no ápice de seu ciclo de crescimento.

       Com certeza, ele chegará no presente ano à sua maior extensão já mensurada – 19,3 milhões de quilômetros quadrados, segundo fontes da mesma NASA. 

       Por sua vez, o ciclo de crescimento e decrescimento da superfície gelada do Ártico vem sendo acompanhado há muitos anos. Existe hoje farta documentação científica e histórica sobre essas mudanças cíclicas.

       Mas é tal o exagero do alarmismo ambientalista, que seis anos atrás a prestigiada BBC inglesa havia anunciado que em 2013 o Ártico ficaria sem gelo algum.

       Como o crescimento da geleira atrapalha o terrorismo midiático, ele é pouco ou nada noticiado. E deixa sem argumentos os ambientalistas que rezam segundo o Corão do fundamentalismo verde.

       Mais uma vez, a profecia do alarmismo fracassou. O derretimento total não aconteceu. Voltarei ao tema.
 

Srs. carbonários do carvão, a Idade da Pedra não acabou por falta de pedra...




Descréditos de carbono

 

Evaristo E. de Miranda* - O Estado de S. Paulo

 

O planeta buscava um substituto para o petróleo. Parece ter encontrado: o gás de xisto e o carvão mineral. O crescimento da produção norte-americana do gás de xisto mudou o panorama da geração de energia.
 
Esse gás substitui a cada dia mais carvão, cujo excedente é exportado para a Europa a baixo preço. Isso derrubou o preço do carvão em todo o mundo, principalmente na Ásia. O mundo prepara-se para trocar um combustível fóssil por outro, mais abundante e barato.
As termoelétricas europeias a carvão mineral aumentam seus lucros. Sobra carvão e, com preços tão baixos, empresas como a norueguesa Statkraft, a alemã E·ON, a checa CEZ e a britânica SSE fecham e hibernam centrais a gás, incluindo plantas moderníssimas.
Os lucros caíram mais de 90% no primeiro semestre de 2013 em usinas com ciclo combinado de gás. A RWE, a maior geradora da Alemanha, obtém 62% de sua produção do carvão mineral e incrementou a produção em 16% em 2012.
A Xstrata, a maior empresa exportadora de carvão mineral, baixou em 17,3% seus contratos para a geradora japonesa Tohoku. Depois de Fukushima, o Japão substitui a energia elétrica atômica pelo carvão.
O adicional de emissões de dióxido de carbono (CO2), tanto no Japão como na Alemanha, pelo fechamento das usinas atômicas, é enorme.
O uso do carvão aumentou as emissões de CO2 na União Europeia (UE), tão engajada no discurso ambiental. Os países europeus não cumpriram as metas de redução de CO2 previstas no Protocolo de Kyoto, apesar da crise econômica e da substituição de sua produção industrial pela China.
A importação de carvão estadunidense pela Europa cresceu 23% e atingiu 66,4 milhões de toneladas em 2012. Nos 27 países da UE, a geração de energia a partir de carvão ultrapassou o gás e atingiu seu nível máximo dos últimos 17 anos.
O chamado mercado de carbono, essencialmente europeu, veio abaixo. Sobram cotas de carbono e ninguém se interessa. Em abril o Parlamento Europeu votou uma sentença de morte para o mercado de carbono: rejeitou limitar as autorizações de emissões de CO2 propostas pela Comissão Europeia.
Uma tonelada de CO2 valia 30 em 2008. Caiu para 2,75, seu nível histórico mais baixo. Para completar, a European Union Emissions Trading Scheme envolveu-se em escândalos, como roubo de licenças de emissão de CO2 e fraudes fiscais.
O descrédito do mercado de carbono freou investimentos em alternativas de geração de energia. A UE aliviou as exigências ambientais para a indústria, em face da crise econômica. Ocorre uma renacionalização da política climática e o abandono da política de bloco.
No futuro os EUA exportarão gás em volume capaz de mudar o panorama mundial. A reserva americana é suficiente para abastecer o mercado por mais de cem anos, segundo cálculos da Administração de Informação de Energia.
O avanço tecnológico na extração do gás de xisto prossegue e deve reduzir diversos problemas ambientais, como a contaminação hídrica e as emissões de metano.
As 48 reservas de gás de xisto encontram-se em 28 Estados americanos e 26 estão em exploração. Na Pensilvânia, em Nova York, Ohio e Virgínia Ocidental há 6 mil poços em operação, só na formação geológica de Marcellus.
O gás de xisto, menos poluente, deslocará o carvão na geração de energia elétrica nos EUA, onde metade da eletricidade ainda é gerada em térmicas a carvão.
O gás de xisto já substitui o diesel em ônibus e caminhões. São poucos postos com o combustível nos EUA, mas a rede de gasodutos tem 38 mil quilômetros.
O gás será um combustível cada vez mais competitivo e, ao levar ao túmulo o mercado de carbono, talvez carregue junto o sonho do etanol como commodity internacional, destinando-o a ser, basicamente, um produto de consumo interno nos países produtores. Se tanto.
Como essa nova realidade interfere na política brasileira de produção de biocombustíveis? E no mercado internacional de etanol? Uma equipe da Embrapa Gestão Territorial estuda seus impactos na agroenergia, mas o alcance da mudança pode ser muito maior.
Por causa da produção crescente de gás de xisto nos EUA e de seu baixo preço, companhias brasileiras já suspenderam projetos de construção de hidrelétricas na América Central. Em outras situações, a energia hidrelétrica poderá perder competitividade com a termoelétrica.
O gás de xisto pode afetar o futuro do pré-sal. Já é real a fuga de investimentos produtivos no setor petroquímico do Brasil para os EUA, onde o preço da matéria-prima é menor. 
Apesar de a Agência Nacional do Petróleo ter marcado o primeiro leilão de blocos de gás de xisto para o fim de outubro, ainda falta o País conhecer e dominar a tecnologia envolvida nessa exploração.
Muitos no agronegócio brasileiro discutem combustíveis renováveis, redução das emissões de CO2, pegadas de carbono, agricultura de baixo carbono e propõem programas ambientais em cenários ultrapassados. A era da energia fóssil está longe de acabar.
Esses cenários viraram carvão. O Brasil está destinado a compensar e fixar o carbono emitido pela China e países desenvolvidos? Deve renunciar ao pré-sal e à exploração de suas reservas de gás de xisto? Os carbonários do carbono ignoram os impactos desse gás e das novas tecnologias e mudanças associadas a ele.
A surpreendente emergência do gás de xisto ilustra o quanto é fundamental a inovação tecnológica e desafia o planejamento nacional.
Ao ser alertado sobre o possível esgotamento das reservas de petróleo pela intensidade de sua exploração, uma autoridade saudita declarou:
"A prioridade é vender as reservas antes da emergência de novas tecnologias". A Idade da Pedra não acabou por falta de pedra.
*Evaristo E. de Miranda é doutor em Ecologia e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).

sábado, 28 de setembro de 2013

O Brasil "estragou" tudo!


Exagero e desinformação
CELSO MING - O Estado de S.Paulo
O exagero também faz parte do processo de tomada de consciência. O narigão de Pinóquio, as histórias infantis de bruxas cruéis e de lobos maus, as caricaturas que saem todos os dias nos jornais, os amores inconsequentes de dom Juan, os filmes de Tarantino, o mictório (a fonte) de Duchamp - tudo isso e tanta coisa mais levam doses de exagero, cujo objetivo é realçar verdades e empurrá-las para quem se recusa a vê-las.
Por isso, não fazem sentido críticas de gente do governo que vê exagero e má vontade na revista The Economist quando, em matéria de capa desta semana (veja reprodução), escracha as mazelas da economia brasileira. Ou, como não gostou do que leu, a presidente Dilma tuitar que os editores da Economist são "desinformados".
Independentemente do viés pedagógico, quem exagera mais: o governo brasileiro ou a revista The Economist? Na semana passada, por exemplo, a presidente Dilma, os ministros Guido Mantega e Fernando Pimentel e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, assumiram o papel de caixeiros viajantes e alardearam diante de potenciais investidores internacionais qualidades pouco reconhecidas da economia brasileira.
Não foi lá muito sincera a presidente Dilma em Nova York, quando afirmou que o governo brasileiro nunca desrespeitou contratos, quando, no entanto, fez o que fez com as regras do setor elétrico, ou quando obrigou governadores e prefeitos a cancelar aumentos de pedágio ou de tarifas de transporte público previstos em contrato. Ou quando jura responsabilidade na administração das contas públicas, mas transfere mais de R$ 400 bilhões (ou 9,0% do PIB) em títulos do Tesouro para que o BNDES e a Caixa Econômica Federal deem cobertura a programas dos quais o governo não consegue dar conta porque gasta demais. Ou quando, apesar disso, esmerilha a credibilidade do Banco Central ao obrigar seus dirigentes - e eles se prestam a isso - a apagar dos seus documentos a afirmação de que a política fiscal do governo é expansionista.
Por acaso, não é verdade que o crescimento econômico do Brasil é tão insustentável quanto voo de galinha? Que o governo brasileiro investe apenas 1,5% do PIB em obras de infraestrutura, enquanto a média mundial é de 3,8%? Que o estoque de infraestrutura no Brasil mal alcança 16%, quando grandes economias apresentam até 71% do PIB?
Não é verdade que as obras públicas não decolam, que a transposição do Rio São Francisco é um desperdício e não termina nunca, que a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, começou em 2007 orçada em R$ 2,5 bilhões, até agora não terminou, já está em R$ 17 bilhões e não se sabe onde vai parar?
Não é verdade que a carga tributária atinge até 58% dos salários? Não é verdade que o governo exige que a Petrobrás invista US$ 236 bilhões em quatro anos e, por puro populismo, desidrata seu caixa com achatamento das tarifas de combustíveis que, de quebra, esmagam com dumpings o setor do etanol?
É por coisas assim que ficou mais difícil convencer os investidores a apostar no futuro do Brasil. Ou seria isso exagero e desinformação?
 

Mistura demoníaca e eleições de 2014

Dívida gigantesca
 
 
Meus amigos, a Igreja tem com o povo desse país uma dívida recente gigantesca.
 
Ela permitiu aqui uma mistura demoníaca entre marxismo e religião que não tem precedente na história mundial.
 
Sobre a vontade dela, Igreja, de corrigir-se afirmo que é “mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que nossos cardeais e bispos mostrarem a esse povo que o reino dos céus não vai ser no Brasil de Lula em 2015”.

 
Milton Simon Pires é Médico (in Alerta total)

Os misantropos etnoambientalistas ou abduzidos por ovnis da petulância


 
A legislação que afaga é a mesma que pune
 
Sebastião Valverde


Embora os reflorestamentos no Brasil tenham iniciado, de fato, com os plantios de Navarro de Andrade para abastecer de lenha o transporte ferroviário no limiar do Século XX, foi por questões legais, a partir da década de 1960, que a silvicultura deslanchou.

É que, com os benefícios fiscais concedidos às empresas consumidoras de madeira de floresta nativa – notadamente pela Lei nº. 4.771/65 (finado Código Florestal) e pela Lei nº. 5.106/66 (que incentivou os reflorestamentos) –, acrescidos aos programas de desenvolvimento das indústrias de celulose ocorridos na década de 1970, a área reflorestada no País saltou de 500 mil para 6 milhões de hectares em 1988, ano em que cessaram os incentivos fiscais por ordem da Lei nº. 7.714/88.

Paradoxalmente, tanto a criação quanto o fim das leis de incentivo ao reflorestamento foram fundamentais para a consolidação do Brasil como um player internacional e para a construção de um mercado de madeira sob uma competição perfeita, no qual os proprietários pudessem investir num negócio florestal de risco, mas rentável.

Em que pese à constatação de alguns insucessos, prevaricações, má localização de projetos e, ainda, circunstâncias tecnológicas da época, é inegável o quanto os efeitos dessas legislações mostraram ao País como ele é forte na cadeia produtiva das indústrias de base florestal.

Aliás, mesmo diante das críticas de lideranças do setor ao fim da política de incentivos, é justamente ela que mudou a forma de gerir as plantações, já que, até então, com disponibilidade de recursos subvencionados e de longo prazo, pouco se exigia em termos de eficiência de gestão da plantação, ao contrário do que hoje ocorre.

É de conhecimento de todos da área florestal que as regras de incentivos também beneficiaram os produtores, no entanto a condição daquela época em que não havia mercado florestal estabelecido – não se tinha preço e, muito menos, perspectiva de mercado – não permitiu, obviamente, aos produtores arriscarem em reflorestamento, mesmo porque se convivia com inflação e juros altos, incompatíveis com a natureza desses projetos, havendo, ainda, o receio de ser refém de único comprador.

Dessa forma, coube às indústrias florestais, sobretudo às de celulose e siderurgia, reflorestarem em áreas próprias, inclusive por exigência legal de autoabastecimento, acarretando, naturalmente, no tão combalido latifúndio de monocultivos florestais.

Daí, àquelas empresas não se exigia tanta competência gerencial para se ter plantações lucrativas, dado o lucro significativo nos produtos celulose, aço, painéis, dentre outros.

Diante desse quadro, o maior desafio da gestão florestal foi evitar a falta de madeira na fábrica. Porém, com o fim dos incentivos, dada a crise na década de 1980, as indústrias reduziram os plantios, ainda que na contramão do aumento da demanda por madeira.

Nada mais óbvio que, com o aumento anual da demanda e a estagnação na oferta – que se refletiria no longo prazo, em virtude do estoque florestal que se formou no período dos incentivos –, faltasse madeira e seu preço aumentasse.

Tal colapso na oferta – o bendito “apagão florestal” –, a partir de 2004, tornou o investimento florestal atrativo.

Daí, com os proprietários rurais investindo em reflorestamento, liberando as indústrias do “dever” de produzirem madeira para focar naquilo que as coloca no mercado em condições de competir – que é industrializar –, o mercado florestal ficou tendente a ser mais justo socialmente e mais exigente gerencialmente.

O fato é que, enquanto não acontecia a influência negativa dos movimentos misantropos etnoambientalistas, aquelas leis que traçaram políticas de incentivos às plantações florestais realmente contribuíram para o progresso do setor.

Mas, a partir da influência de organizações com interesses duvidosos, o setor caminha para uma estagnação perigosa, sendo colocada em risco a conquista obtida nos últimos 50 anos.

Ao contrário das leis que incentivaram os projetos florestais, as regulamentações relativas às questões socioambientais – amparadas em causas justas, mas submissas aos delírios e destemperos de ambientalistas e medievais (?) – têm desperdiçado o potencial competitivo neste mundo globalizado.

Em doze anos, o Brasil, que ostentava o status de país com o menor custo de produção de madeira, caiu quatro posições no ranking.

Torna-se realidade a ameaça de melhor produtor florestal por países asiáticos e, em breve, pelos africanos, caso a silvicultura brasileira continue atravancada por uma legislação subserviente, ineficaz e, portanto, inócua e refém de preconceitos ideológicos.

Já não bastasse o desnecessário licenciamento ambiental exigido das plantações florestais em áreas de pastagens abandonadas, alguns estados-membros têm cobrado levantamentos arqueológicos nas fazendas, fundamentados em alucinações medievais (!?).

Teóricos, ao se depararem com ossos de bovinos nas fazendas, criam regramentos arqueológicos no campo como se tivessem descoberto “fósseis” de unicórneos.

Não será descobrindo o passado e enterrando o futuro que se alcançará o almejado desenvolvimento sustentável.

Ao contrário, as futuras gerações olharão para trás e verão um mundo estagnado pelo medo, herdarão um verde desprovido de qualidade de vida, já que emoldurado, estático e, portanto, sem finalidade real de congregar todos aqueles fatores que permitem ao homem se desenvolver de forma completa, holística.

Embora a política de incentivos tenha terminado em 1988, o Brasil continua, praticamente 30 anos depois, com os mesmos míseros 6 milhões de hectares reflorestados.

Inaceitável para um país continental e florestal por natureza. Caçadores de “chifre em cabeça de cavalo” são culpados por manter o setor florestal nesse limbo, achincalhando com as esperanças de milhões de famílias que trabalham para o setor.

Poucos países reúnem tantas condições favoráveis para o desenvolvimento das plantações florestais como o Brasil.

Nem mesmo os mais próximos concorrentes, como alguns países asiáticos e os africanos, as possuem em seu conjunto.

Solos, água, clima, extensão territorial, tecnologia, gestão e certa “estabilidade” democrática são ingredientes que contribuíram para tornar o Brasil essa referência florestal.

Ocorre que, apesar de ter sido divinamente contemplado pelas condições naturais, o País é penalizado por tecnocratas incompetentes, abduzidos pelo “ovni” da petulância etnoambientalista, que se colocaram a serviço de determinadas ONGs para dificultar o crescimento do setor florestal e, com isso, desperdiçar as oportunidades de geração de riquezas, empregos e divisas para as presentes e futuras gerações brasileiras.

Não há modelo de gestão que resista a tanta restrição arbitrária e questionável – ineficiente na proteção e na melhoria de vida das pessoas.

Imaginar que o setor florestal se desenvolva nessa “camisa de força”, que, além de todas as consequências, perceptíveis até aos leigos, encarece o produto brasileiro, é o mesmo que exigir que um peixe sobreviva fora d’água. Impossível!

Urge que se dê liberdade para quem produz, primando pelo princípio da presunção da inocência, não no da culpa. Basta de preconceito.

*Professor de Política, Gestão e Legislação Florestal da UF-Viçosa

 

http://www.painelflorestal.com.br/blogs/sebastiao-valverde/a-legislacao-que-afaga-e-a-mesma-que-pune

Quem diria... Mandioca vence cianeto


Bactérias da mandioca eliminam o cianeto da
 água contaminada por mineração

 

O cianeto é um elemento usado na mineração de ouro. Utilizado na esteira de mineração, deixa um rastro de contaminação que, quando não é tratada e muitas vezes despejado diretamente nos rios.
Graças a estudos recentes realizados na Colômbia, encontraram uma maneira eficiente para remover o cianeto de água utilizando bactérias mandioca.

Durante o processamento da mandioca, há seis grupos de bactérias nas plantas e que são capazes de remover o cianeto em rios contaminados por mineração. Eles são microrganismos presente na mandioca que degradam o cianeto naturalmente.
Esta implementação foi descoberta graças a necessidades na Colômbia, para tomar medidas contra a poluição de rios em uma área dominada pela insegurança, os criminosos e os grupos ilegais.
A alternativa é mais eficaz e mais acessível em comparação com outros processos químicos para a limpeza de águas residuais.

De acordo com a pesquisa, estes micro-organismos têm diferente capacidade para processar e eliminar o cianeto. Alguns grupos foram capazes de reduzir a zero a presença do cianeto na água contaminada.
Sem dúvida, a implementação desta biotecnologia daria uma alternativa mais eficaz para o grave problema da poluição da água com este elemento letal.

O objetivo final deste projeto é treinar os mineiros para realizar este processo de eliminação do cianeto das águas, com a entrega de tanques com bactérias extraídas do processamento da mandioca, para fazer a limpeza da água e, assim, eliminar vazamentos de cianeto nos rios.


http://www.painelflorestal.com.br/noticias/bacterias-da-mandioca-eliminam-o-cianeto-da-agua-contaminada-por-mineração

 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Brasil 'estragou tudo"




The Economist se desencanta

 

Em 2009, “The Economist” escreveu que o Brasil estava “decolando”. Agora diz que o país “estragou tudo”. Há 4 anos afirmava que tendo sido um dos últimos a entrar na crise financeira mundial de 2008 e foi dos primeiros a sair.

Para a publicação inglesa, o Brasil se encontra travado: 'Depois de 15 anos, progresso no Brasil acabou', diz editor da "The Economist" à CBN.

Com os 0,9% de PIB em 2012 e os protestos de junho, “os maiores em uma geração”, “muitos agora perderam a fé na ideia de que o país estava em direção à órbita e diagnosticaram mais um voo de galinha”, diz a revista.

“Alguns dos motores do crescimento anterior – os ganhos com o fim da hiperinflação e a abertura comercial, a alta dos preços das commodities e os grandes aumentos no crédito e no consumo – já terminaram de render”.

O Brasil fez muito pouco nos anos de crescimento, diz a revista, apontando que o setor público é um peso muito grande para a iniciativa privada, e que o país tem a estrutura tributária mais onerosa do mundo.

“Esses problemas têm se acumulado ao longo de gerações. Mas Dilma Rousseff tem sido relutante ou incapaz de enfrentá-los. Ela assustou investidores e minou a reputação brasileira de retidão macroeconômica ao não cortar as taxas de juros”, diz a reportagem.
 
 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Livro do Príncipe: 15 mil exemplares difundidos



Psicose Ambientalista: sucesso editorial

 Hélio Brambilla


         Em  recente visita ao Brasil, um especialista americano em divulgação de livros afirmou que nos EUA – com 300 milhões de habitantes e o bom hábito da leitura – a tiragem de cinco mil exemplares para uma obra ideológica é considerada muito boa.

Para a diretora de uma grande rede de livrarias do Brasil, a edição entre nós de dois mil exemplares de um livro desse gênero constitui temeridade, e de três mil, uma loucura.

 
 

Pois bem, o livro Psicose Ambientalista, de autoria do Príncipe Dom Bertrand de Orleans Bragança, já ultrapassou 15 mil exemplares difundidos, um ano após seu lançamento no prestigioso Nacional Club da capital paulista em 2 de outubro de 2012.

Desde então, o nobre autor participou de eventos similares em Ribeirão Preto, Franca, Salvador, Recife, Uberaba, Bauru, Belo Horizonte, Sabará, Cascavel, Foz do Iguaçu, Toledo, Curitiba, Florianópolis, Unaí, Paracatu, Brasília, Goiânia, Rio de Janeiro, Campo Grande, Fortaleza. No total foram 20 cidades, muitas das quais são importantes centros de influência econômica, política e social.

 Os lançamentos feitos quase sempre em livrarias, contaram com a presença de prestigioso e numeroso público, que em algumas cidades excedeu 300 pessoas. Depois de ser saudado por uma autoridade local, Dom Bertrand pronuncia habitualmente uma alocução, quando não uma palestra sobre a matéria do ambientalismo.

 Em seguida autografa os livros, ocasião em que troca algumas palavras com seu futuro leitor. Enquanto uns fazem fila para aguardar sua vez, outros com mais tempo preferem fazê-lo em pequenas rodas de animadas conversas.
 
 

O IPCC em palpos de aranha



Consenso sobre “aquecimento” derrete

Luis Dufaur

         Ao se referir à teoria do “aquecimento global” e ao seu súbito abandono, o Prof. Peter Wadhams, especialista da Universidade de Cambridge, afirmou: “Isto não é um ciclo, não é apenas flutuação. No final, tudo vai derreter de repente”.

         A generalizada percepção de que na realidade não houve aquecimento originária da civilização obrigou o IPCC – Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas – a convocar uma reunião de crise.

         Faz tempo se encontra em elaboração o 5º Relatório de Avaliação do IPCC visando à atualização dos seus desqualificados Relatórios de Avaliação anteriores, cuja previsão de lançamento está fixada para outubro/2013.

         Diante dos fatos, os interessados pedem igualmente explicação de como foi possível que em seus Relatórios precedentes sequer tivessem considerado a “pausa global”, nome atribuído à constatação de que o aquecimento global estacionou nos últimos 15 anos.

         Segundo a Profª. Judith Curry, “agora ficou claro que os modelos utilizados eram excessivamente sensíveis ao CO2”. Isto é, estava errada a apresentação dramática do aumento do CO2 como fator de “aquecimento global”. Afirmou ainda que os estudos já apresentados pelo IPCC não levaram em contra os ciclos de longo prazo das temperaturas nos oceanos.

         Na verdade, são exatamente esses ciclos que estariam resfriando a Terra como se deu no período 1965-1975, quando muitos cientistas – e não-cientistas como Al Gore – anunciaram a iminência de uma nova era de gelo.

         Para o Prof.  Anastasios Tsonis, da Universidade de Wisconsin, nós estamos entrando num período de esfriamento que durará pelo menos 15 anos. Enquanto o IPCC sustenta que seus modelos mostram que se deve esperar uma pausa 15 anos, Tsonis conclui que somente dentro de alguns anos eles vão admitir o erro.

         Especialistas que estudaram os projetos desse próximo Relatório julgam que o IPCC continua apegado às suas profecias alarmistas sobre o Ártico, enquanto historiadores do clima tornaram público que um derretimento massivo do Ártico aconteceu nas décadas de 20 e 30 do século XX e depois se recompôs.

         Mas as redações prévias do IPCC pareciam ignorar essa evidência. Os sucessivos derretimentos e congelamentos do Ártico mostram que nas grandes mudanças climáticas a influência do homem não é crucial, sendo os fenômenos naturais seus verdadeiros determinantes.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

ABCZ: decreto-lei” em um país que adota a livre iniciativa?


Cai restrição da ABCZ para receptora meio sangue

Depois da polêmica criada com a tentativa de restrição imposta pela ABCZ – Associação Brasileira de Criadores de Zebu para uso de receptoras meio sangue, o mercado de reposição de fêmeas cruzadas experimenta aquecimento da demanda.

Receptoras meio sangue Simental, por exemplo, já estão 15% a 20% mais valorizadas em relação aos preços praticados no primeiro trimestre deste ano, quando a reserva de mercado foi amplamente divulgada pela mídia.

O fim da restrição acaba de ser homologado pelo Ministério da Agricultura, referendando decisão tomada pela ABCZ. Esta situação dá tranquilidade ao mercado.

“A ABCZ entendeu que apenas recomendar ou dar preferência ao uso de receptoras zebuínas, com medidas que reduzem custos e estimulam a prática, sem a obrigatoriedade da opção pelo criador, seria o melhor caminho para criadores de zebu que fazem uso de TE e FIV”, salienta Mario Aguiar, diretor da Taurus Genética e Tecnologia Ltda (Botucatu/SP).

O fim da restrição foi considerado coerente por presidentes de associações de raças europeias como Simental, Pardo-Suíço e Senepol.

“A esmagadora maioria dos criadores brasileiros sabe das qualidades da fêmea meio sangue Simental e de sua inestimável contribuição para a formação de rebanhos produtivos”, alerta Alan Fraga, presidente da Associação Brasileira de Criadores das Raças Simental e Simbrasil.

“A normativa anterior estava provocando a falta de receptoras meio sangue Simental x Zebu. Estas fêmeas são consideradas entre os criadores, de zebu inclusive, como as melhores receptoras devido a sua alta habilidade materna, fertilidade e tamanho e largura de garupa (diretamente relacionada com um parto mais fácil)”.

“A febre da receptora mexeu com muitos criadores que deixaram de usar raças de comprovada habilidade materna, como o Pardo-Suíço, e passaram a usar cruzas entre zebuínos para atender o mercado de receptoras em 2014”, aponta Luiz Sávio de Souza Cruz, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Gado Pardo-Suíço.

“Muitos criadores estavam dispostos a descumprir a normativa, preferindo manter a rentabilidade e produtividade de seus rebanhos. Não há mais espaço para “decreto-lei” em um país que adota a livre iniciativa”.

Já o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol, Gilmar Goudard, acredita que a imprensa tem um papel importante na divulgação do fim da exigência de sangue 100% zebuíno.

“O assunto foi amplamente explorado no começo deste ano. Estranho apenas é que dessa vez a decisão não teve tamanha publicidade nos veículos de comunicação como ocorreu com a normativa anterior”, lembra. “Os produtores dependem dessa transparência para tomada de decisão”.

Marcelo Gaeta, da Central Gaeta (Avaré/SP), enxerga um mercado ainda mais aquecido para o meio sangue zebu x taurino, especialmente o Simental x Zebu, por conta das qualidades deste híbrido.

“A raça Simental se aplica em todo o país, em qualquer sistema de seleção ou acasalamento, sendo eficiente tanto no corte quanto no leite por sua dupla aptidão comprovada na prática”. Em sua opinião o mercado de meio sangue não se restringe a receptoras, embora seja valioso.

O texto completo do Regulamento do Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas pode ser visto:
http://www.abcz.org.br/AreaTecnica/RegulamentoSRGRZ
Fonte: Miro Negrini | (15) 98159-9000 | miro.negrini@contatocom.com

Sandra Lima | (15) 98159-8000 | sandra.lima@contatocom.com


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A galinha dos ovos de ouro corre risco



A agricultura ameaçada
 
*João Sereno Lammel
 
 
O perigo ronda o campo. Um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira está exposto ao feroz ataque de novas pragas e doenças que, sem formas adequadas de controle, infestam lavouras nas mais importantes regiões agrícolas do País. 

A lagarta Helicoverpa armígera, até poucos meses desconhecida da maioria dos pesquisadores, já devorou, apenas na safra deste ano, cerca de 1 bilhão de dólares das lavouras de soja e algodão do Mato Grosso e Bahia. Especialistas acompanham o rastro da praga e constatam que ela já se instalou em áreas do Paraná e franjas das regiões Sudeste e Nordeste.

A Helicoverpa praga se soma a outras, como a mosca branca, a broca do café e a ferrugem asiática – esta já tendo causado, nos últimos dez anos, de acordo com a Aprosoja, prejuízo superior a 25 bilhões de dólares. 

As perdas se alastram a lavouras de café, algodão, feijão e hortaliças. De acordo com a Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária, pelo menos quinze outras pragas do mesmo potencial destrutivo rondam as lavouras. Os efeitos podem ser devastadores – às plantações e à economia do País.

O agronegócio foi responsável, nos últimos dez anos, por 27% do PIB nacional. Tal resultado se deve, em grande medida, à geração de novas tecnologias, a partir de investimentos vultosos de empresas públicas e privadas. 

É o caso, por exemplo, dos novos defensivos agrícolas, mais eficazes e seguros: as plantações não protegidas por modernas tecnologias perdem, em media, 40% de sua produção. Traduzindo-se: para a safra brasileira deste ano, aguardada em 186 milhões de toneladas, sem a adoção desta tecnologia não chegariam às mesas dos brasileiros e do mundo cerca de 75 milhões de toneladas de alimentos, além de fontes de energias renováveis. 

Ou então: caso fossem retirados 40% das exportações apenas do complexo soja, seriam menos R$ 10,5 bilhões na balança comercial brasileira. Ainda mais drástico: se o impacto de tais perdas fosse debitado do Valor Bruto da Produção, VBP, apenas das culturas de soja, cana-de-açúcar e milho – que somarão R$ 166 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura –, significa que o país deixaria de arrecadar R$ 66,5 bilhões.
A lentidão do sistema de defesa fitossanitária tem se mostrado tão assustadora quanto a voracidade dos insetos, doenças e ervas daninhas, de acordo com a revista Exame (“A praga difícil de vencer”, 13/09/13). 

De fato, é inconcebível a parcimônia com que é tratada, em certos setores do governo federal, uma das principais tecnologias demandadas pelos agricultores e para a sustentabilidade da agropecuária.

É urgente e inadiável, portanto, ampliar a infraestrutura funcional de modo a conferir celeridade e eficiência os três encarregados regulamentação da defesa fitossanitária: Ministério da Agricultura; Ibama; e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa. A lentidão do sistema é assustadora, como acusam os números. 

Em 2008, foram aprovados 11 novos princípios ativos; em 2009, reduziu para 8 novos ingredientes ativos. Em 2010, as aprovações caíram drasticamente para 3 ativos novos; em 2011, foram registrados apenas 2 novos produtos. Finalmente, no ano passado, a de morosidade atingiu o fundo do poço: apenas e tão somente 1 produto novo foi registrado.

A correção nos rumos do atual marco regulatório oferecerá um horizonte de maior previsibilidade às empresas definirem seus planos de investimentos. Mas, sobretudo, trará confiança para trabalho dos agricultores – afinal, os maiores responsáveis pelos alimentos em nossas mesas.

*João Sereno Lammel é engenheiro agrônomo; presidente do Conselho Diretor da Associação Nacional de Defesa Vegetal, Andef.

Fonte: Artigo originalmente publicado na Revista Agroanalysis  VOL 32  Nº 08  Agosto 2013

Socialismo é isso aí!


Início do conteúdo

Falta de papel higiênico provoca intervenção em fábrica na Venezuela

Governo importa 50 milhões de rolos de papel para suprir desabastecimento de produto básico

23 de setembro de 2013 | 11h 48

CARACAS - O governo da Venezuela decretou intervenção em uma fábrica de papel higiênico e colocou as instalações sob custódia da Polícia Militar.
O governo informou que a ocupação da fábrica é temporária, para garantir o abastecimento de papel higiênico no mercado.
A falta de papel higiênico, um dos produtos de necessidades básicas em falta no mercado por causa da intervenção do governo na economia, vem gerando fortes críticas à política econômica da Venezuela.
O anúncio foi feito na tarde de sexta-feira pela Superintendência Nacional de Custos e Preços Justos (Sundecop), que disse em comunicado que a medida responde "à obrigação do Estado de garantir o abastecimento normal de produtos de primeira necessidade para o povo".
Com a intervenção, o governo vai verificar todos os processos referentes à produção, distribuição e comercialização do papel higiênico e poderá requerer informações referentes a inventários, custos de produção e canais de comercialização, entre outros pontos.
Enquanto durar a ocupação oficial, a fábrica denominada Manpa, localizada no estado de Araguá, no centro Norte do país, será 'resguardada' por um comando regional da Guarda Nacional Bolivariana, a polícia militarizada do país, informou o comunicado oficial.
Desabastecimento. A falta de papel higiênico no mercado se converteu este ano no problema mais visível dos crônicos episódios de desabastecimento de produtos de consumo massivo e medicamentos enfrentados pela economia venezuelana.
O governo atribui a falta de produtos à especulação de setores empresariais e tem denunciado manobras para desestabilizar a economia. Enquanto isso, a oposição e empresários responsabilizam a falta de dólares para financiar importações de matérias primas.
A situação obriga muitos venezuelanos a recorrer a vários mercados ou a enfrentar longas filas para conseguir os produtos que precisam.
O governo importou 50 milhões de rolos de papel higiênico para tentar resolver o problema de desabastecimento e esta semana aprovou a compra de 3,4 milhões de toneladas de alimentos para os próximos dez meses para garantir o abastecimento, especialmente na temporada que antecede o Natal.

Reforma Agrária: custou, mas morreu! Regozijemos, pois.


 Pá de cal na reforma agrária


ZANDER NAVARRO - OESP

Usei o mesmo título em artigo publicado em 1986, indignado com a afronta do governo Sarney ao nomear um latifundiário para o Incra. Naquela década me envolvera no ativismo a favor da reforma agrária. Não obstante o anúncio pessimista, o esforço do conjunto de militantes contribuiu para animar a única política de redistribuição de terras já feita no Brasil, iniciada em 1996. 

Desde então, em torno de 1 milhão de famílias recebeu suas parcelas e aproximados 80 milhões de hectares foram arrecadados para constituir os assentamentos rurais - mais de três vezes a área de São Paulo.

Mantenho o título acima porque é preciso reconhecer desapaixonadamente o fato, agora definitivo: morreu a reforma agrária brasileira. Falta apenas alguma autoridade intimorata para presidir a solenidade de despedida. Atualmente a ação governamental nesse campo é um dispendioso e inacreditável faz de conta, sendo urgente a sua interrupção.

Muitos motivos feriram mortalmente a reforma agrária, mas alguns são mais reveladores. O primeiro é de cristalina obviedade, mas muitos fingem ignorá-lo: nenhuma política pública é eterna, pois se conforma às contínuas mutações da sociedade. 

O tema foi popular nas décadas de 1950 e 1960, e surpreendeu que na virada do século o Brasil patrocinasse uma vigorosa redistribuição de terras, um caso raro no mundo. Mas é particularidade que se esgotou.

Seria sensato manter essa política indefinidamente, quando o antigo País agrícola e agrário passou a ser conduzido pela lógica econômica e cultural das cidades, atraindo os migrantes rurais? A mudança espacial de moradia, de trabalho, de formas de vida e também de mentalidades da vasta maioria da população, no último meio século, liquidou a necessidade de democratizar a distribuição fundiária e sua demanda sumiu da agenda política, corroída pela acelerada urbanização.

Outro fator a ser considerado diz respeito às organizações que demandam reforma agrária, responsáveis pelas pressões que ativaram esta recente "bolha" redistributiva. O MST agoniza simultaneamente ao desaparecimento da reforma agrária, a razão de seu nascimento. Não soube refundar-se nessa nova fase do desenvolvimento agrário e vai se apagando melancolicamente. 

Seu consolo é que fará boa figura nos livros de História. E a Contag, poderosa em razão de sua capilaridade, insiste na bandeira empurrada somente pela tradição. Seus dirigentes sabem ser outro o maior desafio: tentar salvar da desistência os milhares de pequenos produtores ameaçados pelo acirramento concorrencial instalado no campo.

Uma outra razão a ser considerada decorre do desempenho da agropecuária no mesmo período, o qual inundou os mercados com volumes crescentes e, graças ao espetacular aumento da produtividade, barateou os alimentos. Tal transformação eliminou o velho argumento econômico da necessidade da reforma agrária e, se a população rural mais pobre migrou para as cidades, igualmente a justificativa social deixou de existir.

Mas há ainda um aspecto decisivo: oferecer uma parcela de terra a famílias rurais não produz mais nenhum efeito prático, apenas garante uma sobrevida temporária. Em nossos dias, chegar à terra própria nada significa para os mais pobres do campo. Produzirá a chance do autoconsumo ocasional, antes do abandono definitivo da terra, como evidenciado na maioria dos assentamentos rurais. 

De fato, trata-se de dura vilania política, pois, enquanto a miséria no campo se esconde atrás das muletas das políticas sociais, o governo federal coleta números destinados meramente ao autoelogio.

Por tudo isso, a reforma agrária brasileira concluiu o seu ciclo de vida. Do ponto de vista econômico e produtivo, seu fracasso é assombroso, pois a área total dos assentamentos é maior do que a área plantada de todos os cultivos nos demais estabelecimentos rurais. 

Mas, com surpresa, nada sabemos especificamente sobre a produção dos assentamentos, enquanto a agricultura brasileira se tornou uma das mais eficientes do mundo. É um confronto estatístico que desmoraliza qualquer defesa de tal política. Persistir em sua continuidade, portanto, beira a completa insanidade.

E o Incra e seu gigantesco orçamento, tornado inútil sob tal desenvolvimento? O caminho lógico seria a sua extinção, mas talvez fosse adequado transformá-lo num instituto de terras que realizasse as "tarefas finais", como a definitiva emancipação dos assentamentos, retirando a tutela do Estado, a regularização fundiária ou a organização das ainda ficcionais estatísticas cadastrais que diz compilar. 

Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário, preso à sua anacrônica hibernação, mantém-se impassível ante a notícia acima e persevera em fantasias para justificar o clamoroso desperdício de vultosos recursos públicos, na tentativa de realizar o irrealizável. Ainda mais espantoso, tenta ressuscitar o que já morreu. Resta saber se a autoridade maior do País terá a coragem de finalizar este capítulo de nossa História.

Distintos são os desafios atuais para criar prosperidade e oportunidades no campo. Requer aceitar que a pobreza rural se resolverá, sobretudo, nas cidades e com outras políticas. E também que não existem soluções exclusivamente agrícolas para parte considerável dos estabelecimentos rurais de menor porte. 

Portanto, é preciso construir uma estratégia de desenvolvimento rural radicalmente inovadora. Mas para isso é preciso primeiramente abrir as mentes, pois a ortodoxia e a ideologização dominantes nos deixam sem rumo algum. 

Enquanto isso, afirmam-se o esvaziamento do campo e a incontrastável dominação da agricultura de larga escala modernizada e integrada aos mercados mundiais.

Eis o nosso futuro rural: uma fabulosa máquina de produção de riqueza, mas fortemente concentrada, pois seria assentada num deserto demográfico.
   

*SOCIÓLOGO E PROFESSOR APOSENTADO DA UFRGS. E-MAIL: Z.NAVARRO@UOL.COM.BR