quarta-feira, 26 de abril de 2017

"DIREITOS DOS ANIMAIS?"



"DIREITOS DOS ANIMAIS?"






Plinio Maria Solimeo

Dados do Censo de 2010 divulgados pelo IBGE confirmam que a taxa de fecundidade no País era naquele ano de 1,9 filhos por mulher. O que já estava abaixo da taxa de reposição da população, que é de 2,1, pois as duas crianças substituem os pais, e a fração de 0,1 é necessária para compensar os indivíduos que morrem antes de atingirem a idade reprodutiva.

Já a projeção do mesmo Instituto para 2016 aponta que essa já baixa taxa de fecundidade caiu no Brasil para 1,69 filhos por mulher. 

Os estudiosos apontam várias causas para isso, como o número de mulheres que trabalham fora, a insegurança, a crise na economia e, sobretudo, os métodos anticoncepcionais modernos mais ao alcance. Só não apontam a causa principal, que é a desastrosa queda da religiosidade da população. O esquecimento de que o principal fim da união matrimonial é, de acordo com a doutrina católica, a perpetuação da espécie, isto é, gerar e educar os filhos. 



Deixando isso de lado, devemos considerar que o ser humano para expandir sua afetividade, e não tendo filhos, quer preencher esse vazio no lar, substituindo-o por um animal doméstico. Daí sua proliferação vertiginosa nos lares modernos. 

Mostra-o, por exemplo, esta manchete da “G1.Globo”: “Brasileiros têm 53 milhões de cães e 22 milhões de gatos, aponta IBGE: 44,3% dos lares têm pelo menos um cão, e 17,7% têm ao menos um gato”. 


A mesma fonte noticia ainda: “O dado mostra que, no Brasil, existem mais cachorros de estimação do que crianças. De acordo com outra pesquisa do IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em 2013 havia 44,9 milhões de crianças de até 14 anos”.(1) Quer dizer, o número de cães supera em quase nove milhões o de crianças! 



Não é de admirar que surjam em todo canto lojas de material para cães e gatos [
foto acima], e que a profissão de veterinário tenha se tornado hoje uma das mais lucrativas. 



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DIREITOS DOS ANIMAIS? 

Esses animais domésticos são, em geral, tratados com requintes desconhecidos de inúmeras crianças. Hoje em dia, em alguns países já se efetivou ou está para ser efetivada uma lei permitindo que os “pets” sejam enterrados junto a seus donos, ou em cemitérios próprios a eles, com túmulos, monumentos etc. como para seres humanos. E já dispõem de praias especiais, hotéis, e até salões de beleza! [Foto aacima]

Tornou-se hoje “politicamente correto” falar desses “direitos” dos animais, havendo em quase todo mundo movimentos que defendem não só os “pets”, como também as baleias e praticamente todos os animais, até mesmo os mais repulsivos. 


Em quase sua totalidade, esses movimentos são orientados por uma ideologia esquerdizante, que é a mesma dos que defendem o aborto e outras aberrações do mundo contemporâneo. 


Nesse sentido, o jornalista J. Lozano, do site espanhol Religión en Libertad, publicou um sugestivo artigo intitulado “O animalismo, de origem marxista, outorga ‘direitos aos animais e os nega a certos humanos”,(2) no qual comenta uma entrevista concedida pelo naturalista e conferencista espanhol Alexander Lachhein à "La Contra TV" sobre esta matéria. 



Segundo Lozano, Lachhein explicou em sua entrevista que “a mensagem de que os animais têm direitos, e que devem ser tratados a este respeito como se fossem seres humanos, vai calando na sociedade,fruto de um bombardeio ideológico. Uns por sentimentalismo, pois já não é infrequente que as mascotes estejam começando a substituir os filhos e sejam tratadas como tais, e outros por ideologia. Mas, o objetivo final é ‘socavar os fundamentos desta civilização’ através do marxismo cultural, que se esconde por detrás” (grifo do original). 


Lozano explica que Alex Lachhein se dedica aos animais. “Mas seu amor pelos animais é tão firme quanto sua luta contra a politização desta causa [dos direitos dos animais], e por isso denuncia o que denomina de ‘politicamente correto’, que impede de dizer certas coisas”. Para Lachhein, todo este assunto vem com uma “profunda carga ideológica [...] para conseguir o ecologismo político e o animalismo”. Para ele, por exemplo, as feministas radicais [foto acima], representantes deste marxismo cultural, são também parte do movimento “animalista”. 

Alex Lachhein explica que os ideólogos marxistas, ao virem que o comunismo econômico estava fracassando em muitos países, apostaram então em “derrubar os fundamentos” e ir, “a partir de baixo, impondo o marxismo cultural, que é sinônimo do politicamente correto”. E assim surge o ativista ecologista profissional, que organiza manifestações, e que, segundo Lachhein, “é um político que não tem nada a ver com o ecólogo”, que é um personagem que “aplica a ciência e está à margem de todo elemento político”. 


Em sua entrevista, Lachhein explica que alguns defensores desse “animalismo” chegam a defender que “não parece muito sensato [...] permitir que aumente o número de crianças com deficiência”. Segundo essa doutrina, tais crianças “não teriam direitos”. Cita o caso de um vídeo que se tornou viral na Espanha, no qual uma simpatizante do partido animalista PACMA criticava o fato de que ninguém lhe deu os pêsames quando morreu seu “pet”, mas o deram à família de Victor Barrio, toureiro que morreu numa tourada. Pois esses radicais são também contra as touradas por terem pena dos touros... 



NÃO TÊM DIREITOS PORQUE NÃO TÊM OBRIGAÇÕES 

Lachhein afirma que “os animais não têm direitos, porque não podem ter obrigações”. Pois, para ele, “os direitos são algo da sociedade humana, e criado pelos humanos. Você não pode dizer a um leão que não pode comer uma zebra, nem que o diga aos leõezinhos”

O naturalista comenta enfim a grande influência que os filmes de Walt Disney tiveram nesse âmbito. Segundo ele, “o mundo de Disney é a humanização total dos animais, e a natureza e as pessoas se formam crendo que é vida real. E quando crescem, pensam que os sentimentos da natureza são assim. E a realidade é que aqui [entre os animais] impera a lei do mais forte, o comer para não ser comido”. “As pessoas têm uma má formação do que é o meio ambiente, e continuam vivendo no universo de Disney”.

Fonte: Agência Boa Imprensa - ABIM


Os ratos estão pulando do navio


Os ratos estão pulando do navio

Péricles Capanema

O ex-frei Leonardo Boff em 21 de abril postou em seu blog análise totalmente elogiosa de artigo da jornalista espanhola Carla Jiménez, esquerdista extremada como ele, e, abaixo, divulgou o texto dela na íntegra.

Trechos do panegírico do corifeu da Teologia da Libertação: “Precisava vir alguém de fora, de uma jornalista Carla Jiménez do jornal espanhol El Pais (17/04/2017) para nos dizer as verdades que precisamos ouvir. Seguramente a grande maioria concorda com o conteúdo e os termos desta catilinária […]. Formou-se entre nós, praticamente, uma sociedade de ladrões e de bandidos que assaltaram o país, deixando milhões de vítimas, gente humilde de povo, sem saúde, sem escola, sem casa, sem trabalho e sem espaços de encontro e lazer. […] Nenhuma sociedade minimamente humana e honesta pode sobreviver com semelhante câncer […] Enganam-se aqueles [que julgam] que eu, pelo fato de defender as políticas sociais […] realizadas pelos dois governos anteriores, do PT e de seus aliados, tenha defendido o partido. A mim não interessa o partido, mas a causa dos empobrecidos que constituem o eixo fundamental da Teologia da Libertação, a opção pelos pobres […] causa essa tão decididamente assumida pelo Papa Francisco. É isso que conta”.

Acima, a opinião do antigo franciscano; em resumo, a jornalista diz verdades que precisamos ouvir. Extratos das tais verdades: “Um ministro da Fazenda, Guido Mantegaque determinava os destinos do dinheiro público depois de supostamente negociar milhões de doação com uma fornecedora do Governo, anotando valores a pagar ao partido num papelzinho, segundo Marcelo OdebrechtUm irmão do ex-presidente Lula que teria recebido mesada de 6.000 reais por ser simplesmente irmão do ex-presidente, segundo outro. [...] As diretorias da Petrobrás eram do PT, PP e PMDB. […] Em determinado trecho da sua delação, Marcelo fala sobre um diálogo com Graça Fosterex-presidente da Petrobras. ‘Sempre fui aberto com Graça… fui franco quando me perguntou… ‘, diz ele. Na conversa, admitia que pagara por fora para o PMDB e para o PT. […] Ao PT coube a maior fração [das propinas da Odebrecht], 408,7 milhões, porque estava com a máquina pública federal. […] Lula, por outro lado, mais do que os crimes a que responde, feriu de golpe a esquerda no Brasil. […] Se embebedou com o poder. […] Saiam todos, por favor. Vocês são maus exemplos”.

No texto formigam críticas severas a Lula e ao PT. O episódio foi comentado na imprensa, em especial nas redes sociais. Alguns dos comentários tinham como pano de fundo, consciente ou inconscientemente, Leonardo Boff patenteou o fracasso da política de apoio escancarado aos objetivos do PT, posta em prática por CNBB, Pastoral da Terra, CIMI, frei Betto e tantos outros. A esquerda católica tornou-se corresponsável da desgraça que se abate sobre o povo brasileiro. A respeito da atitude de Leonardo Boff, abundaram qualificações depreciativas, como covardia, hipocrisia, cinismo.

Estava evidente, perdia muito o ex-frei, perdiam muito as esquerdas. Leonardo Boff, talvez por ter levado um puxão de orelhas, a conhecida enquadrada, postou um meio desmentido a seu post anterior: “Correm pelas redes sociais críticas que teria feito a Lula. Elas são falsas. Pessoalmente não fiz nenhuma crítica. O que fiz foi publicar no meu blog um artigo de Carla Jiménez [...] No referido artigo Carla Jiménez, no final, faz críticas ao Lula o que considero, dentro da democracia, legítimo, embora não concorde”.

O que dizer do episódio? Alguém poderia vislumbrar na nova posição do antigo filho de são Francisco um começo de arrependimento. Tomara. Deus acolhe paternalmente o coração contrito, ainda quando enormes o crime e o pecado. “Quoniam iniquitatem meam ego cognosco: et peccatum meum contra me est semper. Tibi soli peccavi, et malum coram te feci”. [Reconheço a minha iniquidade e meu pecado está sempre diante de mim. Pequei contra ti só e fiz o mal diante dos teus olhos). A conduta exemplar de Davi ilumina os passos das gerações através dos séculos, levando-as a mudança de vida e a caminhar na virtude.

Quanto aos posts do ex-frei Leonardo Boff, neles não vi começo de nada. Inexiste semelhança entre o santo Rei penitente e o frade, manifestamente impenitente, pertinaz na adesão a ideologias e programas que jogaram (e ainda têm potencial para tanto) o Brasil nos precipícios que sempre atraíram, como a cobra hipnotiza o passarinho, os mitomaníacos do ateísmo coletivista.


Termino. Estão pipocando de todo lado posições como a acima relatada, mesmo entre a cumpanherada petista. Muitos, percebendo água no porão, estão pulando fora do barco. Acho mais provável que também o frei Leonardo Boff esteja procurando se eximir da parcela de culpa que tem na desgraça atual do povo brasileiro.

terça-feira, 18 de abril de 2017

CNBB se preocupa é com biomas, quase divinizados



Biomas preocupam a CNBB, mas não as dezenas de milhões de católicos que abandonaram a Fé



A Campanha da Fraternidade de 2017 abordou mais uma vez a questão ambiental, como já fez em edições anteriores. O tema foi “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”.

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, São Cristóvão. Abandonada como muitas outras, mas o que importa é o bioma!



Quando falei isto a meus amigos, aliás muito enfronhados na problemática ambientalista brasileira, iniciou-se uma conversa amável que degenerou na máxima confusão.
Afinal de contas o que a CNBB entende como bioma e o que tem a ver essa campanha com a religião católica, perguntavam todos.
Por isso quando vi o artigo “Biomas brasileiros — cultivar e cuidar” do Emmo. Cardeal arcebispo de São Paulo D. Odílio Scherer, achei que iria ouvir algo bem definido e esclarecedor.
E acabei estarrecido pela radicalidade dos propósitos expostos com dulçorosa redação.
A escolha do tema foi influenciada, escreveu o prelado, pela encíclica ‘Laudato si’, do papa Francisco (2015).
Voltou-me à mente a euforia das esquerdas latino-americanas mais extremadas com dita exortação.
Mas, o alto eclesiástico, explicou que a CNBB com essa campanha na Quaresma visou convidar os cristãos a refletirem sobre as implicações da sua fé em Deus.
Ele reconhece que o tema soa abstrato e distante da religião, objeto para ocupação apenas de especialistas e ambientalistas de carteirinha.

Leia-se MST, CIMI, ONGs nacionais e internacionais, Funai e outros tentáculos mais ou menos combinados com a CNBB para fazer a revolução no Brasil.
O arcebispo paulista também reconhece que “para a maioria das pessoas, talvez o conceito ‘bioma’ seja até desconhecido”.
E explica que “trata-se de um ambiente da natureza que tem um conjunto de características próprias e hospeda diversas espécies vivas bem harmonizadas com esse ambiente”.
Como é que as invasões das fazendas por indígenas, atiçados pelo CIMI denunciadas documentadamente na CPI de Mato Grosso do Sul, servem para “harmonizar” as ‘espécies vivas do ambiente’ jogando numa luta fratricida uns brasileiros contra outros? Visivelmente há muitas coisas que não colam.
Quanto mais lia, menos entendia… É um modo de dizer, acho que entendia cada vez mais.
Campanha da Fraternidade 2017 se preocupou dos ‘biomas’. E das dezenas de milhões de católicos que deixaram a religião?


Prosseguindo me deparei com que “todos os biomas brasileiros estão ameaçados e a principal ameaça é representada pela interferência indevida do homem neles. (…)
“Certas formas de manejo florestal, agricultura ou criação de gado, e mesmo de urbanização, podem produzir profundas alterações no delicado equilíbrio dos biomas.
“Por motivos econômicos, a natureza acaba sendo vista como fonte de recursos disponíveis, sobre os quais o homem avança com a vontade de se apropriar, sem considerar as consequências presentes e futuras de sua intervenção no ambiente da vida.
“A natureza ferida e desrespeitada pode voltar-se contra o próprio homem, que se torna a sua vítima”.

Simples: a gloriosa sucessão de gerações de produtores agropecuários que regaram o solo brasileiro com seu sangue, com seu suor e suas lágrimas para tirar o Brasil da incultura e da barbárie são os maiores inimigos do País (ou de seus biomas)!
E Deus que mandou os homens ocuparem a Terra toda, será por caso inimigo dos biomas?
Então a Campanha da Fraternidade 2017 visa conscientizar os cristãos dessa realidade execrada pela CNBB após piruetas verbais bem ao gosto dos “verdes” e das esquerdas subversivas.
Dita conscientização, acrescenta o artigo comentado, não fica no campo. Deve ir por cima das cidades e de seus habitantes que constituem a larga maioria da população nacional.
E como na cidade não existe o famoso “bioma” na acepção adotada pela CNBB, o artigo excogita a existência de um “bioma urbano” . Nele ‘o ser humano é seu principal agente ativo e passivo’.
Por que não mencionar também os passarinhos, animais de afeição, e em ultima análise, insetos, baratas e ratos que pululam desagradavelmente nas cidades, se a acepção adotada é para ser levada a sério?
O Exmo. arcebispo reconhece por fim que haverá “quem pergunte: por que motivo a Igreja Católica se preocupa com uma questão que não é propriamente religiosa? E por que promove essa reflexão justamente no tempo da Quaresma, marcadamente religioso e cristão?”
É a pergunta de todo mundo que tem um resto de fé e de lógica.

E responde que “a atitude religiosa decorrente da fé cristã não se expressa apenas em cultos, ritos, preces e exercícios propriamente espirituais. A fé cristã integra todas as dimensões da vida e da ação humana e as realidades do mundo”.
Mas é essa fé católica que está sendo abandonada no Brasil, não só na prática nas igrejas mas em “todas as dimensões da vida e da ação humana e as realidades do mundo”!
A grei confiada à CNBB está se dispersando a ponto de ficar reduzida a um mero 50% – segundo dados do IBGE e da Datafolha – quando em 1940 os católicos eram 95% segundo o mesmo IBGE.
Essa perda massiva da fé católica não pede uma retomada fervorosa da pregação que inspirou o nascimento do Brasil e seu desenvolvimento através dos séculos de sua história?
A CNBB não responde ao clamor dessas dezenas de milhões de almas que se perdem no materialismo ambiente e prefere ficar na encíclica Laudato si’ levada como bandeira pelo bolivarianismo e populismo subversivo latino-americano!
E nos quase divinizados biomas…. que são explorados como ‘slogans’ do ambientalismo radical!




sexta-feira, 14 de abril de 2017

Entenda a decisão do STF sobre o Funrural


Faturamento ou Folha? 



A decisão causou revolta nos produtores rurais em grande medida porque ninguém gosta de pagar imposto, muito menos em um país onde não se recebe nada em troca e os escândalos recorrentes de corrupção mostram que muito dinheiro público é simplesmente roubado. 

Mas o STF não criou um imposto novo na tarde de ontem.

O que o STF decidiu ontem foi sobre a legalidade da arrecadação da contribuição previdenciária sobre o faturamento do produtor rural pessoa física.

Os programas de assistência ao trabalhador rural surgiram na década de 70 com o chamado Programa de Assistência ao Trabalhador Rural (Prorual), instituído pela Lei Complementar nº 11/71, que previa a concessão de aposentadorias por idade, invalidez, pensão, auxilio-funeral, serviço de saúde e serviço social.

A Constituição de 1988 modificou a estrutura do sistema previdenciário, urbano e rural. Em 1992, a Lei nº 8.540/92 criou o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), com o objetivo de bancar a aposentadoria dos trabalhadores rurais. Diante da dificuldade de cobrar contribuição previdenciária sobre a folha de produtor rural pessoa física, a cobrança de 2,1% foi estabelecida sobre o faturamento.

O Funrural é uma contribuição substitutiva da cota patronal do encargo previdenciário (20%) mais o percentual do RAT – Riscos Ambientais do Trabalho (3%) dos produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e também das empresas agroindustriais. É bom lembrar que o empregador urbano paga contribuição previdenciária de 23% sobre a folha de pagamento. O produtor rural, desde 1992, deveria pagar 2,1% sobre o faturamento.

Ocorre que várias ações judiciais, por razões diferentes, estabeleceram que a cobrança do Funrural sobre faturamento era inconstitucional. O resultado dessas decisões levaram muitos produtores, alguns amparados por decisões judicias, outros não, a não pagar o Funrural.

Um dos resultados desse imbróglio jurídico foi que o produtor rural passou a acreditar que não precisava pagar contribuição previdenciária. Ninguém paga Funrural hoje em dia e isso é parte do problema previdenciário do país. Uma parte pequena, é verdade, mas o déficit previdenciário que está matando o futuro do Brasil deve-se em parte ao não recolhimento do Funrural.

Ou seja, o STF não inventou o Funrural. O judiciário não tem o poder de criar imposto. O que os ministros fizeram ontem foi afastar o imbróglio jurídico que embaçava a contribuição previdenciária do produtor rural, que foi criada por lei aprovada no Congresso em 1992.

O resultado da decisão de ontem é que o produtor rural voltará a ter descontado 2,1% de cada nota fiscal que emitir a título de Funrural.

Isso é necessariamente ruim?

Bom, se você acha que o produtor rural não deve pagar previdência como todo mundo, isso é muito ruim. É esse sentimento que está causando revolta no agro. As pessoas achavam que não deviam nada e agora serão roubados pelo governo.

Ocorre que todo empregador paga a previdência dos empregados. Empregador urbano, da industria, produtor rural pessoa jurídica, paga sobre a folha. O produtor rural pessoa física paga sobre o faturamento.

O trade-off não é pagar ou não pagar o Funrural. O trade-off é recolher contribuição previdenciária de 20% sobre a folha ou 2% sobre o faturamento.

Para o produtor rural que fatura muito e usa pouca mão-de-obra a decisão de ontem foi péssima. Porém, para o produtor rural que usa muita mão-de-obra e fatura relativamente pouco é mais vantajoso recolher sobre o faturamento.

Grosso modo, a decisão de ontem foi ruim para todos os produtores rurais pessoa física porque ninguém se considera devedor da contribuição previdenciária ao governo. Mas, no fundo, a decisão de ontem só é ruim para quem tem pouco empregado e fatura muito.

E agora, José?

A decisão do STF não está em vigor. Antes, será necessário publicar o acórdão da decisão. Depois que o acórdão for publicado, qualquer dos intervenientes na ação julgada ontem poderá entrar com embargos de declaração solicitando esclarecimentos do STF sobre a decisão. Isso vai retardar o trânsito em julgado e a entrada em vigor da cobrança.

A sugestão deste blogueiro é que o setor movimente sua raiva para alterar rapidamente a Lei que rege o Funrural, a Lei 10.256/2001, no sentido de permitir que cada um possa fazer a opção de recolher contribuição previdenciária sobre o faturamento ou sobre a folha.

Agora, este blogueiro entenderá, e não se surpreenderá, se a turma quiser ficar brigando entre si.





quinta-feira, 6 de abril de 2017

Reforma da Previdência: Bispos e petistas festejam



Com a morte da reforma da Previdência, as confrarias dos bispos, dos petistas e da CUT estão em festa.

Confraria dos bispos  

Se Vicente Cândido apagou da internet a imagem do encontro que teve na CNBB sobre a reforma política, a CUT faz questão de divulgar a reunião com a cúpula dos bispos brasileiros para tratar "dos danos da reforma da Previdência aos trabalhadores". 

No encontro com Vagner Freitas, presidente da CUT, dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, disse o seguinte: 

“É o momento de chegarmos nas pessoas, pois a mídia não está possibilitando fazer com que a população entenda a gravidade do que está acontecendo e o que aparece nos meios de comunicação é muito favorável às reformas.” 

Segundo o bispo, "garantias conquistadas desde a redemocratização estão sendo comprometidas".

Fonte: O Antagonista

Quem preserva o meio ambiente são os agricultores




Recomendo assistirem esta reportagem produzida pela TV Bandeirantes, exibida anteontem (04/04) na edição do Jornal da Band, que aborda o trabalho da Embrapa, com as análises dos dados do SiCAR - Sistema de Cadastro Ambiental Rural.
 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Dois Brasis: no horizonte da economia, o brilho vem do campo


Safra agrícola: série mostra os efeitos da maior colheita 


da história do país


Estimativas mostram que serão mais de 220 milhões de toneladas de grãos.
Quase metade será soja, que produzirá 13% a mais do que em 2016.

                                                                                        Roberto Kovalic e Thiago Capelle
A safra agrícola que começou a ser plantada no ano passado teve uma ajuda do clima e promete deixar para trás qualquer risco de crise no setor. Na primeira reportagem da nova série especial do Jornal Hoje, os repórteres Roberto Kovalick e Thiago Capelle mostram o crescimento da lavoura nos últimos anos, os desafios para escoar a produção e o impacto na mesa dos brasileiros.
No horizonte da economia brasileira, o brilho vem do campo. Enquanto indústria, comércio e serviços patinam, as máquinas agrícolas nunca trabalharam tanto para tirar do chão a maior colheita da história do Brasil.
As estimativas mostram que serão mais de 220 milhões de toneladas de grãos - quase metade será soja, que produzirá 13% a mais do que no ano passado. Outros 89 milhões de toneladas serão de milho. 
As lavouras de feijão e arroz também vão produzir mais. A safra, que começou a ser plantada no fim do ano passado, teve sol e chuva na hora certa. Houve uma boa ajuda do céu e muito trabalho na terra.
Os agricultores dizem que a vagem perfeita de soja tem quatro grãos de um bom tamanho, sem nenhum defeito. Em 1977, na primeira safra de uma fazenda em Rondonópolis (MT) era possível conseguir um grão bom, mas não na dimensão da safra atual: são três bilhões de pés de soja com altíssima produtividade. Em 40 anos a fazenda quadruplicou a produção e isso se espalhou pelo Brasil,  
O diretor da empresa dona desta fazenda conta que, na primeira safra, os pés de soja eram tão pequenos que não dava para usar a colheitadeira. O jeito foi fazer a colheita com a mão. “Normalmente, você arrancava as plantas e fazia os montes e depois passava fazendo a colheita, ou seja, uma por uma tinha que ir arrancando. Isso deu trabalho”, conta Airton Francisco de Jesus, diretor superintendente da Jota Basso.
A paisagem mudou em parte do Brasil. A soja, que veio da Ásia, e o milho, da América do Norte, se tornaram os dois alimentos mais produzidos pelo país. 
Os agricultores avançaram, ocuparam novas áreas, passaram a colher mais de uma safra por ano e aumentaram a capacidade de fazer as plantas produzirem mais. A área plantada pela agricultura cresceu 60% em 40 anos. A produção aumentou 375% no mesmo período, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária.
“Na agricultura, a gente tem crescido nesse período 4% ao ano, ou seja, todo ano, a gente faz mais com os recursos do ano anterior. É a única agricultura do mundo que conseguiu crescer nessa velocidade nos últimos 30, 40 anos. 
Ou seja, não é só um caso de sucesso quando comparado com os outros setores da economia, mas é um caso de sucesso global. Ninguém fez melhor desenvolvimento de agricultura no mundo do que o Brasil nos últimos anos”, explica André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult.
Reflexos na mesa do brasileiro

Comida que sai do campo para as mesas de estrangeiros e brasileiros. Já dá para ver o reflexo da super safra na prateleira do supermercado. O feijão, que foi um dos grandes vilões da inflação nos últimos dois anos, está mais barato. O preço do feijão carioca caiu mais de 25% nos dois primeiros meses deste ano e o preto, mais de 12%.


Mas o alimento mais produzido no país não estará com frequência na mesa dos brasileiros. A não ser em forma de óleo, já que soja não é muito popular por aqui. Mas a soja e, principalmente o milho, alimentam o porco, o gado leiteiro e o frango, uma das principais proteínas consumidas pelos brasileiros. 
A soja e o milho também pesam na balança comercial, que é o resultado do que o Brasil vende e compra de outros países. Da soja em grão produzida aqui, metade vai para o exterior, principalmente para a China.
Só o estado de Mato Grosso envia, por dia, para o porto de Santos, depois da colheita, soja suficiente para encher nove trens, 720 vagões. É um navio inteiro. 
“Uma locomotiva com 100 vagões está tirando das rodovias, com menos congestionamento, com menos nível de acidentes, aproximadamente 300 caminhões. É um número muito importante pra gente também”, afirma Fabrício Degani, diretor de portos e terminais da Rumo.
O transporte de grãos melhorou, mas parte da safra ainda fica atolada no caminho. A BR-163, que liga o Mato Grosso ao Pará, ficou parada durante o pico da safra de soja. A maior parte do escoamento da safra de grãos ainda é feita pelos portos do Centro-Sul do país (80%), mas os portos do Norte estão ganhando importância (subiu de 16% para 19,6%).
Levar a soja até o porto de Miritituba, no Pará, usando hidrovia em uma parte do trajeto, custa US$ 80 a tonelada. Até Santos, de caminhão, US$ 126 a tonelada, bem mais caro. 
Isso faz o Brasil ficar para trás diante do principal concorrente, os Estados Unidos, maiores produtores de soja e milho do mundo. Os americanos colocam os produtos agrícolas nos seus portos a US$ 30, em média. 
“A gente poderia crescer em um ritmo ainda maior, contribuir ainda mais para o país, se a gente tivesse uma logística melhor”, diz André Pessoa.
Em 40 anos, o Brasil se tornou uma potência na produção de grãos, mas os agricultores reclamam que, na verdade, existem dois brasis, bem diferentes: um da porteira para fora e, o outro, da porteira para dentro.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

O Brasil à Deriva – Queda no abismo ou retorno às raízes cristãs?



O Brasil à Deriva – Queda no abismo ou retorno às raízes cristãs?


Todas as classes de nossa sociedade que trabalham irmanadas pela grandeza do Brasil de amanhã sentem-se perplexas diante das ameaças que hoje pairam sobre os nossos campos e cidades. E também sobre as nossas famílias e os costumes cristãos que herdamos de nossos antepassados.
Com efeito, o Brasil católico, o Brasil de Nóbrega e de Anchieta, o Brasil de Nossa Senhora Aparecida, enfrenta a agressão do anti-Brasil da desordem, dos partidos e das organizações de esquerda, da revolução social, enfim, do comunismo.

Quem vencerá? O Brasil ou o anti-Brasil? A resposta está com o leitor, pois o nosso futuro depende mais do que nunca de cada brasileiro. Se nos deixarmos arrastar pelo desânimo, pela inércia, ou mesmo pelas mentiras dos inimigos da esquerda, seja ela laica ou pretensamente “católica”, o futuro que nos espreita poderá ser sombrio.
Onde teria se ocultado o comunismo? De que forma ele nos ameaça?
Aonde nos quer levar? A grande preocupação atual do brasileiro é a enorme onda de corrupção, revelada em boa parte pela operação Lava Jato.
Orquestrada em larguíssima medida por expoentes do Partido dos Trabalhadores em conluio com grandes empresários em busca de vantagens, essa corrupção é responsável pela alarmante situação em que nos encontramos, sendo compreensível que nossa atenção se volte para ela.

Precisamos, contudo, tomar cuidado para não focarmos apenas nela e nos esquecermos de que há toda uma agenda ideológica de esquerda representando ameaça muitíssimo mais grave do que a corrupção política. Por mais que se diga que o comunismo morreu, ele ainda constitui um perigo para o Brasil.
Suas fantasias e práticas continuam vivas no PT, nos partidos de esquerda, em certas ONGs, em certa mídia, em certas universidades. Mas igualmente em certos cenáculos da CNBB, como o Conselho Missionário Indigenista (CIMI), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e organizações semelhantes.
É a fermentação vermelha que borbulha, ora com a “ideologia de gênero”, ora com o aborto, ora com a ofensiva homossexual, ora com a agitação indigenista, ora com o ambientalismo ecológico irracional, ora com as invasões de terrenos urbanos e rurais, sempre combatendo a família e a propriedade privada, esteios da Nação, e levando adiante sua cega e unilateral política de “direitos humanos” entre outras.
Se não ficarmos atentos a essa sutil fermentação comunistizante, o socialismo petista poderá retomar ainda com mais força as rédeas do poder, pois apoios – sobretudo de eclesiásticos, artistas e intelectuais de esquerda, bem como de certa mídia – nunca lhe faltam.

Não permitamos que lobos revestidos com pele de ovelha possam desviar o nosso imenso e querido Brasil de sua vocação de grandeza cristã. As agitações e passeatas que procuram galvanizar a favor das esquerdas o descontentamento em relação à reforma da Previdência são prova disso e despertam preocupação.
Se os bons católicos e os bons brasileiros souberem discernir o inimigo entocado e o que ele trama, e, sobretudo, se souberem reagir com ideias claras contra ele, o Brasil nada terá a temer. Ao apresentar aqui algumas sugestões e pontos de reflexão, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira não tem qualquer intuito político-partidário.
 *  *  *
Não vamos propor nomes de pessoas, de partidos ou de panaceias políticas. Seriam todas sugestões simplistas, além de efêmeras. Não é preciso reinventar a roda. O que se faz necessário é voltar ao bom senso e aos princípios básicos da civilização cristã, corroídos anos a fio pela pauta petista.
Nossa proposta é que figuras representativas da sociedade brasileira, de entidades de classes “não alinhadas”, e, sobretudo, da parte não alinhada do Episcopado – que até o momento vem se mantendo silenciosa – concorram para que os rumos do País sejam decididos sem o clima de agitação e demagogia.
Essa corrosão, a nosso ver, vem representando a própria causa dos males que hoje nos afligem e dos quais queremos nos ver livres. Eis algumas sugestões que traduzirão na prática nossa linha de pensamento e ação:
   1. Respeito à vida desde a concepção até a morte natural, e não à              descriminalização aborto.

  1. Respeito à família como foi constituída por Deus, isto é, pelo casamento de um homem e uma mulher, como está estabelecido em nossa Constituição.
  2. Respeito ao mais inalienável direito dos pais, que é a educação dos próprios filhos, e a rejeição total da “ideologia de gênero”. 
  3. Respeito à livre iniciativa, pois tendo sido o homem criado à imagem e semelhança de Deus, é livre e inteligente. A não observância desse direito inibe a capacidade criativa de um povo.
  4. Respeito ao direito à propriedade privada, garantia da liberdade, e fim das invasões rurais ou urbanas.
  5.  Respeito ao direito natural de legítima defesa e abolição das restrições à posse e ao porte legal de armas, como foi manifestado por 64% dos brasileiros quando do referendo que visava nos impor o desarmamento. 
  6. Levar adiante – prudente e implacavelmente – o combate à corrupção que vem saqueando a Não nos últimos tempos. 
  7. Redução do tamanho do Estado às reais necessidades da Nação e consequente redução do insuportável fardo tributário que pesa sobre os brasileiros. 
  8. Radical simplificação da atual legislação trabalhista, fonte de tanta desarmonia entre patrões e empregados. 
  9.  Valorização das Forças Armadas e Policiais militares e civis como guardiãs da Nação. No seu prestígio e na sua eficiência repousam a paz social e a segurança interna e externa de nossa Pátria.

CONCLUSÃO
Apelo para que a bondade cristã continue a prevalecer
no Brasil
 O nosso povo sempre foi conhecido como afetivo, ordeiro e pacífico. Tal feitio lhe advém da tradição profundamente cristã, constituindo nobre obstáculo às leveduras revolucionárias do socialismo e do comunismo. É por isto que as forças da desagregação se empenham em criar a ilusão do contrário, ou seja, de uma população agressiva e revoltada.
Daí o nosso apelo para que o Brasil bondoso, o Brasil afetivo, o Brasil cristão continue idêntico a si mesmo, e não se deixe arrastar pelas solicitações da violência, seja física ou moral. Nós, brasileiros, não somos afeitos à revolta e à subversão, ao contrário do que fazem acreditar os agitadores.
Por mais razões que tenhamos para estar descontentes, procuremos sempre resolver os problemas dentro da paz cristã que Santo Agostinho definiu como sendo a tranquilidade da ordem. O nosso povo tem bastante consciência de nossas potencialidades e de que um trabalho empreendedor e confiante poderá tornar o Brasil um país exponencial do século XXI.
Trabalho que exige esforço árduo e ânimo forte. Mas não foi assim que os nossos antepassados dilataram as nossas fronteiras e começaram a extrair da terra os recursos com que hoje vivemos? E quando galgaram serras, adentraram florestas, atravessaram rios e transpuseram pântanos eles não dispunham das comodidades modernas.
Por que não recobrar essa fibra, essa força de alma que nasce da Fé católica que nos foi legada? Não será, pois, com revoluções mortíferas, dissensões internas, tensões estéreis entre irmãos que haveremos de aproveitar as vastidões ainda inexploradas de nosso território.

Mas é com espírito empreendedor, ordeiro e cheio de Fé que poderemos alcançar de Deus, por intermédio de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, a nossa grandeza cristã nas novas etapas históricas que se aproximam. É para essa obra árdua, mas grandiosa, que convidamos todos os brasileiros.

sábado, 1 de abril de 2017

Brincando com fogo


Brincando com fogo
Péricles Capanema



O de que vou falar não é brincadeira. Já tratei do assunto quatro vezes, “O Brasil servo”, “Clamando no deserto” (18-2-16), “Tumores de estimação” (2-4-16) e “Ocultando a realidade ameaçadora” (17-10-16).

Volto hoje ao tema. O Estadão de 3 de março estampa em manchete: “Shangai Electric fará proposta para assumir obras de R$ 3,3 bi da Eletrosul”. Em destaque gráfico o jornal recorda fatos relacionados: “Últimas compras feitas por chineses: CPFL. Em julho de 2016 a State Grid comprou fatia de 23% da Camargo Corrêa na CPFL por R$ 5,8 bilhões. 
Neste ano, concluiu a compra do controle por R$14 bi. Estrela. Em agosto de 2015, a China Three Gorges (CTG) comprou duas hidrelétricas da Triunfo Participações e Investimentos por quase R$ 2 bilhões. Leilão. Em novembro de 2015, CTG venceu o leilão da Ilha Solteira e Jupiá (CESP), por R$ 13,8 bilhões. Em 2016, comprou a Duke Energy por US$ 1,2 bilhão”.
Informa a reportagem assinada por Renée Pereira, a Shangai Electric deve apresentar até 10 de março proposta para assumir várias concessões de linhas de transmissão de energia da Eletrosul, subsidiária do grupo Eletrobrás.
Em nenhum momento, o texto elucida que a Shangai Electric é controlada pelo governo chinês. Também não esclarece que a China Three Gorges e a State Grid são estatais chinesas. Outro modo, são empresas controladas pelo Partido Comunista Chinês (PCC). 
Nenhum leitor terá visto o PT condenar a tomada paulatina do setor elétrico brasileiro pelo capital estrangeiro (no caso, o capital comunista chinês). Convém-lhe o fato.
Passo agora à reportagem de agosto de 2016, revista Exame, assinada por Maria Luiza Filgueiras. Título “O setor elétrico brasileiro caiu no colo dos chineses”
A jornalista lembra que a State Grid fatura 340 bilhões de dólares por ano, tem 1,5 milhão de funcionários. Outra empresa gigantesca, a Huadian gera o equivalente a toda a energia elétrica produzida no Brasil. Está negociando a compra da Santo Antônio Energia. A reportagem ainda menciona a SPIC e a CGN, ainda de origem chinesa.
State Grid tem hoje no Brasil 7 mil quilômetros de linhas em funcionamento e 6,6 mil quilômetros em construção. É o sintoma de um fenômeno em estágio inicial, a dominação do mercado por empresas chinesas, afirma a citada jornalista. 
“Eles vão comprar tudo”, disse a ela um banqueiro de investimentos. Nos últimos cinco anos (matéria de agosto de 2016), os chineses investiram 40 bilhões de dólares no setor elétrico brasileiro.
Todas essas empresas são estatais chinesas (na grande maioria das vezes, fato ocultado do leitor brasileiro). A diretoria delas, nomeada pelo governo, tem o aval do PCC, que governa ditatorialmente em regime de partido único aquele desventurado país. De outro modo, está caindo no colo do Partido Comunista Chinês o setor elétrico brasileiro.
Adiante. O governo brasileiro começa a discutir a venda de terras para estrangeiros. Em entrevista à GloboNews, 15 de fevereiro, o ministro Henrique Meirelles afirmou que o governo liberaria nos próximos 30 dias a venda de terras brasileiras para estrangeiros. 
“O Brasil precisa de crescimento e de investimento. O agronegócio foi a área que mais cresceu em janeiro. Temos que investir, gerar mais empregos”. É tema delicado, requer debates de entendidos, do livro e da prática. Que se ouça com especial atenção o produtor rural, aqui também quem trabalha em terras arrendadas, que poupa na esperança de comprar seu pedaço de terra. 
Li em fontes várias, a proposta do governo virá com nota demagógica: 10% da terra comprada por estrangeiro terá que ser dedicada a projetos de reforma agrária. Soa como barretada ao MST, CNBB, e entidades similares, medida na certa prejudicial ao campo e à produção, e que em nada ajudará o trabalhador rural. 
Exprimo o temor de que o PCC, por meio de estatais e fundos de investimento, acabe comprando centenas de milhares de hectares, se não milhões. E a imprensa na certa vai noticiar na cantilena: “grupos chineses”, “investidores chineses”.
Relembro abaixo o que adverti meses atrás. A compra de gigantescos ativos pelas estatais chinesas traz o Partido Comunista Chinês para dentro da economia brasileira; para dentro da política brasileira. T
ais empresas serão instrumentos para alinhar o Brasil aos interesses do comunismo chinês, no caso, de imediato, fortalecer na região os intuitos de Pequim e minar a influência norte-americana. Os mesmos objetivos, com métodos iguais, estão sendo levados a cabo na Argentina, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia. E em outros países.
Por que tanto silêncio? Ponho a nu razão que morde no bolso. Em razão de longa política exterior de hostilidade aos Estados Unidos e à União Europeia, a China hoje é o maior parceiro comercial do Brasil, cerca de 20% de nosso comércio exterior. 
Vendemos em especial matérias-primas (commodities), sobretudo minério de ferro, soja, óleos brutos do petróleo, em geral por volta de 80% do total, itens com pouco valor agregado. E compramos mercadorias com alto valor agregado, máquinas, aparelhos elétricos, aparelhos mecânicos, produtos químicos orgânicos, em torno de 60% do total. 
Conta ainda na pauta de exportações a presença crescente de produtos do agronegócio, como carnes, couro, açúcar. É um imenso universo de fornecedores, de cujo vigor depende a sanidade da balança comercial brasileira.

De alguma maneira nos tornamos reféns da China. Ela pode trocar fornecedores, contratá-los em outros países, caso Brasília e setores privados não atuem eficazmente contra sua crescente presença, sobretudo econômica, entre nós. 
Concebível, setores privados e autoridades governamentais então prefeririam, para salvar vantagens econômicas, o silêncio confrangido (acovardado) sobre o avanço imperialista chinês dentro de nossa casa. No fato, conveniências de momento seriam fatores determinantes para conduta que deságua na independência condicionada e na limitação da soberania. 
Nenhum país sério tolera arranhões em sua independência e em sua soberania. A omissão a respeito caracteriza descumprimento dos deveres de defesa nacional. Se não for cortado esse passo de forma sensata, com lucidez e determinação, no horizonte, já antevisto, desenha-se para nós o estado vergonhoso de protetorado efetivo.