sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Queimadas fazem parte da vida de uma floresta saudável



Um novo ambientalismo
Tentar manter intocado um ecossistema é o mesmo que sufocar sua vitalidade
Fernando Reinach, O Estado de S.Paulo


A revolução no movimento ambientalista começou com uma explosão. Em 18 de maio de 1980, o Mount St. Helens, um vulcão adormecido no meio de uma das florestas mais antigas dos Estados Unidos, explodiu. Mais de 600 quilômetros quadrados de floresta desapareceram. A área ficou coberta por 30 centímetros de cinzas. 
Nos últimos 17 anos, ecologistas estão acompanhando a colonização dessa área por plantas e animais, e o que descobriram pode mudar nossa maneira de cuidar das florestas.
Durante centenas de milhões de anos, ninguém cuidou das florestas. Aliás, nem existíamos. As florestas eram cobertas por glaciais e desapareciam, depois reapareciam. O mar subiu, submergiram, o mar baixou reapareceram, foram queimadas, regeneraram. 
De um jeito ou de outro, elas se mantiveram exuberantes. Então, nos últimos milênios, nossa espécie se espalhou pelo planeta. Nos últimos 300 anos, coletando lenha para nossas fogueiras, e abrindo áreas para a agricultura, reduzimos de tal maneira as florestas que ficou aparente que se nada fosse feito elas acabariam. 
Foi assim que por volta da metade do século XX surgiu o movimento ambientalista com o objetivo de preservar o meio ambiente e, claro, as florestas.
Um pouco devido à sua origem fora da comunidade científica, um pouco por culpa dos cientistas que no inicio não se envolveram, em vez de defender a ideia de deixar as florestas em paz, o movimento passou a defender sua imutabilidade. 
Esse modo de pensar se cristalizou por volta de 1990 com normas estritas de manejo das florestas, tanto nos EUA quanto no Brasil. Nos EUA, a radicalização foi total. A retirada de madeira, mesmo planejada, foi proibida e até os incêndios naturais foram banidos, com brigadas de incêndio e sistemas de monitoramento. 

De certa maneira, essa forma de pensar tentava tornar estático um ambiente normalmente dinâmico, onde as mudanças, apesar de lentas (muito mais lentas que a destruição predadora do homem) acontecem constantemente. Novamente, a arrogância do Homo sapiens, tentando controlar a natureza.

Os problemas começaram. A contenção de queimadas naturais fez com que a camada de folhas mortas aumentasse, e quando as queimadas aconteciam eram incontroláveis. Esses incêndios florestais passaram a matar árvores que normalmente sobrevivem às queimadas frequentes e fracas, que ocorrem quando a quantidade de matéria morta no solo é menor. 
Queimadas fazem parte da vida de uma floresta saudável. Outros resultados dessa natureza mostraram que a boa intenção humana ainda é menos sábia que a autorregulação dos ecossistemas.

"Trabalho escravo"???


O fim da ideologia no combate ao 
trabalho escravo


A Portaria 1.129/2017, publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União, tratando sobre os conceitos de trabalho forçado, jornada exaustiva e condições análogas à de escravo em fiscalização do Ministério do Trabalho decretou o fim da ideologia no combate à escravidão contemporânea.

A falta de critérios claros e objetivos da regra anterior deixava o enquadramento de trabalho forçado, da jornada exaustiva e das condições análogas à de escravidão inteiramente ao sabor da discricionalidade do fiscal. Muita vezes, a mera vontade do fiscal de punir o empregador era critério suficiente para o enquadramento de trabalhadores nas classificações de trabalho degradante ou análogo a escravo.

A nova Portaria define, agora, quais são os critérios objetivos que o auditor Fiscal do Trabalho deverá seguir ao lavrar um auto de infração. O texto trouxe segurança jurídica às relações de trabalho, reduzindo incertezas em relação às atividades tanto do empregador, quanto do empregado.

Importante enfatizar que, para a edição da Portaria 1.129/2017, o Ministério do Trabalho considerou as Convenções nº 29 e nº 105, ambas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Convenção sobre a Escravatura de Genebra, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, além de ter observado a legislação pátria.

Ressalta-se, ainda, que o Brasil tem hoje uma das leis trabalhistas mais rígidas do mundo, além de possuir a Norma Regulamentadora (NR-31), que contribui para a melhoria na qualidade do trabalho ao estabelecer diversos preceitos que devem ser observados na organização e no ambiente de trabalho.

Desta forma, criar regras objetivas é fundamental para que o Brasil possa evoluir para uma legislação clara, objetiva e que regule a relação entre empregador e empregado.


Foto: Ascom/Ibama


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Petismo e "trabalho escravo"



As novas regras contra o trabalho escravo prejudicam o auditor petista
Brasil 16.10.17 20:38  

PAs mudanças nas regras para combater o trabalho escravo não são um retrocesso porcaria nenhuma.
Havia produtor rural sendo acusado de “trabalho escravo” por auditores petistas, porque o trabalhador preferiu almoçar debaixo de uma árvore, em dia ensolarado, do que no refeitório.
É por causa desse tipo de excrescência ideológica, que nada tem a ver com o horror do trabalho escravo de verdade, que agora será preciso que uma autoridade policial valide a queixa contra um produtor rural, entre outras coisas.

Se Michel Temer baixou a nova legislação por oportunismo, para fazer um agrado nos ruralistas às vésperas da votação da segunda da PGR contra ele, viva esse oportunismo.

Fonte: O Antagonista

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

“A Agricultura destrói o Meio Ambiente?”



Inscreva-se já, gratuitamente, para a Conferência “A Agricultura destrói o Meio Ambiente?”
Por
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Prezados Amigos do IPCO,
No próximo dia 05 de outubro, quinta-feira, teremos a importante conferência do Dr. Evaristo Eduardo de Miranda, Chefe-geral da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e doutor em Ecologia pela Universidade de Montpellier (França).
Apesar de pressões de ONGs e de ambientalistas, que trabalham em órgãos do governo, o agronegócio foi praticamente o único setor que continuou mantendo suas metas e impedindo a bancarrota econômica do País. Com excelente desempenho impediu que o Brasil caísse no estado deplorável da Venezuela, na qual faltam alimentos e gêneros de primeira necessidade.
No dia 05 de outubro, no Club Homs, São Paulo, Dr Evaristo deverá nos mostrar como o agro-negócio não destrói o meio ambiente, antes pelo contrário, protege e o defende.
Não perca esta oportunidade! A ocasião passa e pode não mais voltar.
*               *                *
Data: 5 de outubro de 2017
Horário: 19h00m
Local: Clube Homs (Av. Paulista, 735)


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Venezuela: o PT não tem vergonha na cara



Venezuela: o PT não tem vergonha na cara
Em evento no Rio de Janeiro, agora à noite, Lula disse o seguinte sobre a Venezuela:
“Queria citar a Venezuela e seus representantes: que digam ao presidente dos EUA que quem decide o destino da Venezuela é o povo venezuelano.”

Que povo, Lula? Aquele que deu maioria à oposição no Parlamento venezuelano e teve seus votos jogados no lixo pela “Constituinte” de Nicolás Maduro? Ou aquele que apanha nos protestos contra o ditador?

Fonte: O Antagonista

Noruega, go home!


Pressão e ingerência


Patrocinados pelo governo da Noruega, agitadores tribalistas e ONGs esquerdistas tentam se imiscuir na vida do Brasil. Uma Iniciativa Inter-religiosa da Floresta Tropical, promovida pelo Ministério do Clima e Ambiente desse país, reuniu em Oslo líderes de diversas crenças e povos, como os pigmeus africanos e etnias indígenas sul-americanas.

O inédito encontro se inseriu numa longa série de ingerências de governos e ONGs internacionais no Brasil e em outros países. O governo norueguês vai cortar em 2017 pelo menos 50% de suas doações ao Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, aduzindo o aumento no desmatamento nos últimos dois anos.

Segundo a “Folha de S. Paulo”, Sônia Guajajara [na foto, a baixinha da esquerda], coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), achou que a iniciativa não foi radical. 

Ela aguardava um intervencionismo mais extremado e especificamente político, voltado contra as tendências conservadores no País, de modo especial no Congresso Nacional. 

Em discurso no Centro Nobel da Paz, ela atacou a atuação das igrejas cristãs nas aldeias brasileiras e a aliança no Congresso das bancadas evangélica e ruralista, contrárias a mais demarcações de terras. Desta maneira, o destino soberano do Brasil ficou no centro das críticas de poderes e militâncias ricas estrangeiras associadas ao comuno-tribalismo brasileiro.



sábado, 30 de setembro de 2017

Maçã envenenada



Maçã envenenada

Péricles Capanema

Maçã é ótimo. A apple a day keeps the doctor away, garante velho brocardo inglês. Se podre, pode intoxicar, até matar. Vou falar sobre leilão de privatização, realizado na Brasil, Bolsa, Balcão (B3) em São Paulo. Dele se gabou o presidente Michel Temer no twitter (27 de setembro): “Nós resgatamos definitivamente a confiança do mundo no Brasil. Leilão das usinas da Cemig rendeu R$12,13 bilhões, acima das expectativas do mercado”.

Não vejo motivos para gabolices. Podem ser passos rumo ao abismo. Privatização? O governo passou à iniciativa privada (iniciativa privada?) quatro usinas da CEMIG (Companhia Energética de Minas). São concessões por 30 anos, prorrogáveis. Com isso, a estatal mineira perdeu 36% de sua capacidade de geração.

A maior delas, a usina São Simão, tem potência instalada de 1.710 megawatts (58% do total oferecido). A seguir, a Jaguara, 424 (15%), a Miranda, 408 (14%), finalmente a Volta Grande, 380 megawatts (13%).  O maior lance, natural, foi para a Usina de São Simão, 7,2 bilhões de reais, ágio de 6,51%. Arrematou-a o grupo chinês SPIC Pacific Energy, estatal, tem 140 mil empregados. Lembro o óbvio: é dirigido pelo governo e Partido Comunista Chinês. Num só lance, o Partido Comunista chinês passou a controlar 21% da anterior capacidade de geração da CEMIG. Não pode ser diferente, o grupo SPIC vai atuar no Brasil em consonância com os interesses do governo e do Partido Comunista da China.

Todos estão enxergando, o setor elétrico no Brasil, sob silêncio pesado, vai caindo no colo dos comunistas chineses (não só o setor elétrico, os tentáculos vão bem além dele). Voz isolada, mais de um ano atrás, a jornalista Maria Luíza Filgueiras, na Exame, alertou: “A bagunça causada pelo governo Dilma e a crise da Lava-Jato estão entregando, de mão beijada, o setor elétrico brasileiro para um grupo de estatais chinesas”.

Em geral, a investida do comunismo chinês sobre setores da estrutura básica brasileira vem sendo acobertada entre nós por um mantra: aplicações de investidores estrangeiros. Pululam na imprensa manchetes sobre tais aplicações. Soa simpático. À vera, age como bruxedo aliciador e embusteiro por ocultar cavilosamente ponto essencial: o poder na China é imperialista, totalitário, coletivista e ateu. Pelo menos em uma coisa somos campeões, no emprego de eufemismos irresponsáveis e covardes.

A Jaguara foi arrematada pelo Consórcio Engie Brasil Energia S.A e Engie Brasil Energia Comercializadora, 2,2 bilhões de reais, ágio de 14%. A Engie é um conglomerado francês. Segundo o site do grupo, 28,65% do seu capital pertence ao Estado, que tem 36,68% dos votos. É acionista determinante, informa a imprensa francesa. A Miranda também foi arrematada pela Engie, 1,4 bilhão de reais, ágio de 22%.

A Volta Grande, por 1,4 bilhão de reais, ágio de 10%, ficou com a Enel, italiana, da qual o Ministério da Economia e Finanças detém 21% das ações.

Continuo no setor elétrico. Wilson Ferreira Junior, presidente da Eletrobras, especializada desde décadas em dar prejuízos amazônicos aos contribuintes brasileiros, foco do próximo escândalo (o eletrolão, se começarem a investigar o setor) anuncia enérgicos planos de recuperação. A estatal que, além dos prejuízos estratosféricos, gera mais de 30% da eletricidade no Brasil e detém 47% de sua rede de distribuição está agora combatendo a elefantíase que a acomete desde o nascimento, mais de 50 anos atrás. Cortou 700 cargos de gerentes (com isso melhorou a gerência da empresa). Tinha 11 softwares de gestão, vai reduzir a um. Avisa Ferreira Júnior: “Para a contratação do sistema operacional único, nós levamos oito meses, enquanto uma empresa privada faz isso em dois”. Vai adiante: “Vendemos a Celg com 28% de ágio e as outras seis empresas de distribuição serão vendidas até o fim do ano. E temos 74 sociedades de propósito específico à venda, sendo que 58 delas são de energia eólica, e o restante, de transmissão. As vendas vão fazer com que a dívida da Eletrobras caia 6 bilhões de reais, para 17 bilhões”. Sobre as distribuidoras constatou: “Geram prejuízos, empregam 6 mil pessoas”. Imagina o futuro: “A Eletrobras é uma holding que tem quatro ativos principais: Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul. Acredito na transformação da Eletrobras numa empresa brasileira como a Embraer. O governo não seria mais o controlador”. Alerto agora eu: com base no que vem acontecendo: a China comunista vai ficar com parte importante desses ativos.

A privatização de si é ótima: traz racionalidade de custos, produtividade, competitividade, melhores serviços aos usuários. Diminui o poder do Estado sobre o cidadão, acaba com rombos orçamentários que pesam no cangote do contribuinte. Permite que o dinheiro público poupado da ineficiência, gastança e corrupção seja empregado em escolas, postos de saúde, tanta coisa mais. Ainda lembro, aumenta riquezas, gera renda, cria empregos. Bastaria o exemplo do setor da telefonia no Brasil. Nada disso coloco em tela de juízo. E nem proponho políticas nacionalistas, reservas de mercados, fechamentos ao capital estrangeiro.

Só destaco o óbvio ululante: inscientes (o mínimo), estamos criando gravíssimo problema de segurança nacional com a entrega a potências estrangeiras, mais especificamente, ao comunismo chinês, de setores-chave da economia nacional. Segurança nacional é irmã gêmea de independência nacional.

Todos estão vendo, cada vez mais a China hoje se ergue como o grande adversário dos Estados Unidos e o Brasil, se não acordar, caminha para ser peão chinês desse jogo. Coerentemente, também não vejo com tranquilidade estatais de outros países gerindo parte importante da riqueza nacional. Elas são instrumentos de governos, que vão e vêm segundo eleitorados instáveis. Privatizar deveria significar o que é: entrada do capital privado, nacional ou estrangeiro, em setores antes controlados pelo Estado.


Estamos diante de indiferença suicida, anestesiadas misteriosamente as fibras do patriotismo e da religião. Em 1453 caiu Constantinopla. Ainda havia resistência na cidade sitiada, mas, dizem historiadores, os bizantinos por descuido deixaram semiaberta o portão da muralha noroeste. Por lá entrou destacamento otomano e decidiu a batalha. Temamos portões deixados abertos por descuidos, otimismos e superficialidades.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Carta Palocci, caso ainda não a tenha lido



A carta de Palocci ao PT

Em texto enviado à presidente do partido, Gleisi Hoffmann, ex-ministro diz que 'chegou a hora da verdade'; referindo-se a Lula, ele desafiou: "até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do 'homem mais honesto do País' enquanto os presentes, os sítios, os apartamentos e até o prédio do Instituto (!!) são atribuídos à Dona Marisa?'

Redação

26 Setembro 2017





domingo, 24 de setembro de 2017

Carta-convite para conferência do Dr. Evaristo Eduardo de Miranda



Carta-convite para os Amigos do GPS do Agronegócio

Prezados Amigos,

No próximo dia 05 de outubro, quinta-feira, teremos a importante conferência do Dr. Evaristo Eduardo de MirandaChefe-geral da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) monitoramento por Satélite e doutor em Ecologia pela Universidade de Montpellier (França).

Apesar de pressões de ONGs e de ambientalistas, que trabalham em órgãos do governo, o agronegócio foi praticamente o único setor que continuou mantendo suas metas e impedindo a bancarrota econômica do País. 

Com excelente desempenho impediu que o Brasil caísse no estado deplorável da Venezuela, na qual faltam alimentos e gêneros de primeira necessidade.


No dia 05 de outubro, no Club Homs, São Paulo, Dr Evaristo deverá nos mostrar como o agro-negócio não destrói o meio ambiente, antes, o protege e o defende.

Não perca esta oportunidade! A ocasião passa e pode não mais voltar.

Clique aqui e faça já sua inscrição ou copie e cole no browser http://agricultura.ipco.org.br
                                                       
Atenciosamente
                                                           Diogo Waki

                                          Diretor de Relações Institucionais

                                           Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Rússia: economia "africana" sentada sobre 7 mil bombas atômicas


Rússia: uma economia “africana” que sonha

 com a URSS deitada sobre 7 mil bombas 

atômicas


Venda de pastéis perto da estrada de Novgorod

Segundo avaliação do jornal espanhol“El Mundo”, a Rússia é uma superpotência militar com uma economia terceiro-mundista. 


A Rússia está muito aquém da Espanha, pois tem o mesmo PIB (Produto Interior Bruto) e o triplo de população. Em outros termos, a renda per capita russa é um terço da espanhola.


Mais ainda, o PIB nominal per capita do Brasil – US$ 11.387 – está acima do russo: US$ 9.054. (Fonte: Brasil, WikipediaRússia, Wikipedia).  


Como as perspectivas econômicas russas são as piores, o jornal lhe aplica pejorativamente o carimbo de “país do Terceiro Mundo”.


Exporta petróleo, gás natural e mais algumas matérias-primas, mas tem que importar todo o resto, porque não produz quase nada. É o esquema de uma economia de país pobre, diz o jornal.


A exceção são as exportações de material militar, em grande parte destinada a antigos clientes da União Soviética, cujos exércitos só conhecem o armamento russo.


Mas esses compradores são cada vez menos confiáveis e se interessam sempre menos pelas antigualhas russas malgrado as melhorias cosméticas. 


A expectativa média de vida na Rússia (62-77 anos para os homens) é mais baixa que a da Bolívia (67-91 anos), com a diferença de que a população boliviana cresce dinamicamente, enquanto a russa diminui. 

A perspectiva russa, segundo a ONU, é de 24 milhões de habitantes a menos em 2100, enquanto a perspectiva da população boliviana nessa data beira um aumento aproximado de 600%. Confira: World Population Prospects 



Alimentação insuficiente e abuso de álcool diminuiu a expectativa de vida
Entrementes, não se entende por que a comunidade internacional ainda aceita a Rússia como uma grande potência econômica.


Só uma esclerosada visão da realidade russa poderia explicar essa crença, talvez influenciada por uma simpatia ideológica atávica ou alguma saudade do socialismo que a URSS encarnou outrora. 


Se Moscou influencia hoje o mundo é por causa do fascínio psicológico do sonho da URSS.


Ele se perpetua no Ocidente, ainda governado por regimes socialistas e manipulado por uma mídia cujos grandes títulos vão se fechando um a um porque descolados das respectivas opiniões públicas.


Outro dos poucos índices de grandeza que a Rússia ainda exibe é o mastodôntico aparato de defesa, espionagem, repressão e segurança em que Vladimir Putin fez carreira, e sem o qual o dono do Kremlin não duraria muito.


Fora disso, praticamente nada, martela “El Mundo”. A economia está militarizada, as receitas do país são etéreas como o gás que exporta e se evaporaram com a queda da cotação internacional do petróleo.


Talvez fosse mais apropriado comparar os dados macroeconômicos russos com certas economias africanas em vias de desenvolvimento – embora a Rússia não forneça muitos sinais de crescimento –, armadas até os dentes, com um ditador ferozmente agarrado ao poder e em pé de beligerância contra os vizinhos de etnia (de ideologia, no caso russo) diferente. 
O míssil Iskander (SS-26 para a NATO) de curto alcance pode levar cabeças nucleares.
A Rússia gasta desproporcionalmente em armas

Eriçada de nacionalismo anticapitalista e antiocidental, amargurada pelo fracasso da utopia de domínio universal soviético e com uma economia humilhantemente depauperada, a Rússia – que detém 7.000 bombas atômicas – é claramente um perigo, observa “El Mundo”.


Esse é mais um conjunto de fatores, por certo nada positivo, que explicaria a crença na Rússia-potência por efeito do medo.


O jeito certo seria reformar a economia para sair da decadência. Mas para o Kremlin isso equivale a reconhecer que não é grande potência.


Se Moscou adequar suas forças armadas às dimensões reais do país, a ideologia oficial e o modelo econômico ainda sovietizado não seriam mais sustentáveis. 


Com a cornucópia petrolífera, Vladimir Putin tentou que a Rússia crescesse anualmente 4% a 6%.
Hiper-nacionalista, saudosista da URSS, admirador de Stalin,
acuado pela crise econômica, Putin dispõe de 7.000 bombas atômicas


A alta cotação internacional do petróleo engrossou as caixas do Estado e alimentou uma fabulosa corrupção em todos os níveis. O país vivia de importados até que a bolha furou. 


O Estado distribuia indústrias em concessões e/ou monopólios para uma Nomenklatura de privilegiados oriundos unicamente do entorno de Vladimir Putin, que durarão em função de sua fidelidade ao líder e temerão sempre cair em desgraça. 

Com os ingressos rareando, o presidente e sua Nomenklatura seguiram esbanjado para manter cidades e instalações pesadas antieconômicas da era soviética para alimentar altas percentagens de popularidade.

Mas agora a torneira fechou, o petroestado ficou com a roupa do corpo.

Os capitais de estrangeiros e de magnatas putinistas levantaram voo, a moeda nacional espatifou-se, a invasão da Ucrânia cerceou ainda mais as entradas e multiplicou as despesas. 

Eis a Rússia, empobrecida, humilhada, acuada e agressiva. 

No fim, só resta o nacionalismo saudosista da URSS e 7.000 bombas atômicas.

Para o Ocidente, que acreditou na “queda do comunismo”, sobrou um pesadelo ameaçador.

E ele é chefiado por um coronel formado na KGB, admirador de Stalin e disposto a tudo para restaurar a grandeza material do império dos sovietes.




sábado, 16 de setembro de 2017

Lula acabou, mas a esquerda...



... inventará outro pai

Brasil 16.09.17 10:20 

Sem Lula, o PT e a esquerda ficaram órfãos, e essa é mais do que uma imagem.
A esquerda, em qualquer latitude, sempre precisou cultuar um pai.
No caso da brasileira, chegaram ao cúmulo de adotar  Getúlio Vargas como figura paterna esquerdista — o ditador que, entusiasta de Mussolini e simpatizante de Hitler, despachou a mulher do comunista Prestes para a Alemanha nazista. 
A adoção coincidiu com a desmistificação de Stalin — aquele paizão universal de quem eles gostavam de apanhar. (Para minúscula parte da esquerda internacional e nacional, Trotsky continuou a ser papai no céu. E para uma terceira, ínfima, Mao servia como daddy, embora fosse produto muito chinês para parecer original.)
Sem Getúlio no pedaço, tentaram transformar Jango em sucessor do pai adotivo suicida.  Mas Jango era apenas ficante ideológico e não escondia isso. Uma decepção. Tudo bem, na falta de espécime nacional, Fidel Castro tinha um charutão grande o suficiente.
Então veio o barbudo sindicalista e, afora uma e outra criança birrenta, a esquerda nacional se uniu em torno do Redentor do ABC. Os adeptos românticos quebraram a cara com o oportunista; os cínicos, adeptos ou não, quebraram o país.

E depois de Lula? Cedo ou tarde, inventarão outro pai, porque a esquerda não vive sem um. Eu, Mario, acho que se trata de um caso psicanalítico grave e intratável.
Fonte: O Antagonista

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Lula, Joesley e Stedile X indiferença




O dever de ajudar a Venezuela

Péricles Capanema



O normal seria hoje comentar a sórdida corrupção revelada nos últimos dias. Contudo, não será meu foco. Quero falar de um fato alvissareiro.

Do pântano, destaco, porém, um andrajo enlameado que não vi ainda apontado: a indiferença suicida. Antônio Palocci [foto] falou do “pacto de sangue” entre Emílio Odebrecht e Lula. Sponte propria, o dono da empreiteira teria oferecido ao ex-presidente, no intuito de preservar a relação privilegiada da empresa com o governo, pacote que incluía um sítio (presente pessoal), a sede do Instituto Lula, palestras a R$200 mil líquidos, pagos os impostos, além de R$300 milhões, de uso livre, para custear atividades políticas (claro, poderia também cobrir gastos pessoais).
Em apenas uma das doações, um dos maiores representantes do macrocapitalismo brasileiro pôs R$300 milhões à disposição da propaganda petista. É uma montanha de dinheiro para dar popularidade a programa que acarreta empobrecimento generalizado, atraso e sofrimento para o povo em geral. Clara opção preferencial pela pobreza e pela tirania, como em Cuba e Venezuela, onde, aliás, a Odebrecht financiou generosamente as campanhas de Chávez e Maduro. Ademais, fortalece programa favorecedor do coletivismo e do intervencionismo. Da parte da cúpula da empreiteira, o que se percebe é indiferença total, suicida, com a agressão aos interesses do Brasil, do empresariado e do povo em geral. Passo ao agronegócio. Constato ali, temo que generalizada, a mesma indiferença suicida.



Depoimento de Joesley Batista, um dos maiores pecuaristas, se não o maior, do Brasil: “Ele [Lula] me ligou esses dias, pediu para mim [sic!] atender os sem-terra. Eu digo ‘ô presidente’(risos) ‘Joesley, eu tô aqui com o [João Pedro] Stédile não sei o que ele precisa falar com você …’ ‘Tá bom, presidente, manda ele vir aqui. Eu atendo ele, tá bom’”. No meio do riso, a promessa tácita de financiamento do MST. E o MST iria utilizar o dinheiro, sabia-o Joesley, para agredir os fazendeiros e favorecer o comunismo no Brasil. O mais grave é que não são dois exemplos isolados. São exemplos sintomáticos, são sem-número os casos parecidos na política, na religião, nos negócios, nas escolas. Tal insensibilidade morfética provavelmente constitui a pior ameaça ao nosso futuro de nação próspera, ocidental e cristã.



Falei da Venezuela. A boa notícia vem de lá. O Episcopado, através de suas figuras mais expressivas, está reagindo contra a tirania chavista. E o fato, a reatividade de um organismo vivo, tem importância enorme para a Igreja e para a sociedade.
Cinco bispos, dois dos quais cardeais, solicitaram audiência ao Papa Francisco para expor a grave situação do país. A agenda já estava pronta. Greg Burke, o porta-voz do Vaticano, garantiu que haveria “um rápido cumprimento”. Antes do encontro, já em Bogotá, um dos cinco, Dom Jesús González, bispo-auxiliar de Caracas, declarou publicamente que esperavam ser recebidos. Óbvio, não apenas para “cumprimento rápido”. Após a missa celebrada no Parque Simón Bolívar, em Bogotá, o Papa falou com eles. Melhor talvez, ouviu-os. A delegação era formada, como disse, por dois cardeais, Dom Jorge Urosa, arcebispo de Caracas, Dom Baltazar Porras, arcebispo de Mérida, Dom José Luis Azuaje, bispo de Barinas, Dom Mario Moronta, bispo de San Cristóbal, e Dom Jesús González. A respeito do encontro, a Conferência Episcopal Venezuelana [presidente, Dom Jorge Urosa; vice-presidente, Dom José Luis Azuaje] emitiu comunicado forte e expressivo: “O Pontífice mostrou sua preocupação pela agudização da crise humanitária, manifestada na fome e na escassez de remédios, bem como pela emigração de numerosos venezuelanos. Também foi informado da imposição da Assembleia Nacional Constituinte e da perseguição que alguns dirigentes, ameaças a sacerdotes e religiosas e fechamento de meios de comunicação social”.
De outro lado, pouco antes, na 5ª feira, o arcebispo de Caracas havia denunciado ao diário “El Tiempo”, o principal de Bogotá: “É claro que existe uma ditadura na Venezuela, já que o Parlamento foi anulado. A seguir foi instituído um órgão absolutamente inconstitucional, torpe e fraudulento, a Assembleia Nacional Constituinte. É um sistema ditatorial em que não há divisão de poderes e não se respeitam os direitos fundamentais, ou seja, nem os estabelecidos na Constituição Nacional”.
No quadro da aberta oposição da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) ao governo Maduro, um de seus órgãos, a Comissão Justiça e Paz, em documento assinado por Dom Roberto Lückert León, presidente (antigo arcebispo de Coro), afirma o seguinte: “A Comissão Justiça e Paz, considerando a situação tanto dos presos políticos quanto dos presos comuns, evidenciada nas denúncias de familiares e do Observatório Venezuelano de Prisões, nas quais se descrevem tratamento cruel e desumano nos traslados e nos próprios centros de reclusão, situações anti-higiênicas, alimentação precária, falta de remédios, falta de assistência jurídica, impedimentos para visitas de familiares e falta de assistência médica. Exigimos que cesse a caça às bruxas contra os cidadãos que não pensam como o regime; exigimos que a família do general Raul Isaias Baduel seja informada de seu paradeiro e estado de saúde. Esta comissão eclesial exige o fim da perseguição, da tortura física e psicológica que indica sanha e violência contra tais cidadãos. Exigimos justiça. Caracas, 10 de agosto. Dom Roberto Lückert León, presidente.

Com a implantação da ditadura bolivariana, muitos venezuelanos precisam disputar o conteúdo de lixo para sobreviverem
Outro órgão da CEV, a Rede Latino-americana e Caribenha de Migração, assim se manifestou: “Queremos manifestar nossa solidariedade ao povo venezuelano que nesse momento vive uma crise humanitária, caracterizada pela escassez de alimentos e remédios, colapso dos serviços públicos, inflação mais alta do mundo, violência sem limites e graves violações dos direitos humanos. A Conferência Episcopal Venezuelana assinalou profeticamente: ‘Em nosso país se percebe de forma muito clara como a violência adquiriu caráter estrutural. São muitas suas expressões’. Esta situação que atenta contra a vida e a dignidade dos venezuelanos e venezuelanas, forçou milhares e milhares a deixar o país, em diáspora sem precedentes”.

Cada um — sem nenhuma indiferença, que no caso teria uma nota suicida —, em seu respectivo âmbito precisa ajudar a Venezuela enfraquecida a sair do abismo, no momento em que forças poderosas a empurram para mais fundo. Rússia, China, Nicarágua, Bolívia, assim como o PT e vários partidos de esquerda no Brasil trabalham a favor da clara opção preferencial pela tirania e pela fome na Venezuela. É gravíssimo. Um lembrete. Temos aqui ótima ocasião para que a CNBB, abandonando sua conduta de dócil companheira de viagem das causas da esquerda, apoie com força sua brava coirmã, a CEV. Exposta ao perigo, increpando exclusões, a CEV leva adiante uma cruzada em defesa do povo humilde e da nação perseguida. A mudança de rumos, tomara, será sintoma de que, por fim, a CNBB começou a ouvir os clamores do povo. O bom exemplo edificaria a todos os brasileiros.